Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Notícias da Venezuela e da Bolívia

Na Venezuela à semelhança do que se vem passando em Portugal o ano de 2009 é  marcado por diversos escândalos de crime económico, processos de corrupção envolvendo a banca, empresários e políticos corruptos. Um ano em que a justiça esteve em destaque processando também alguns massacres cometidos pelas polícias do regime neoliberal anteriores a Chávez.

 

Mas as últimas notícias relatam que há fortes indícios de dirigentes do lado bolivariano também estão implicados em casos de corrupção. Isto é preocupante.

 

Façamos então uma sítese dos acontecimentos. Apesar do Partido Comunista da Venezuela e outras correntes esquerdistas avisarem desde há pelo menos 2 anos que a resposta à crise finaceira internacional passa pela urgente nacionalização de todo o sector bancário, o Presidente Chávez (certamente estando mal aconselhado) tem preferido nacionalizações de bancos um a um e a passo de caracol, esta polítca tem tido os seus custos.

 

Uma crise bancária rebentou na Venezuela nas últimas semanas com a intervenção estatal de quatro bancos em risco de falência: o banco Confederado, o banco Bolívar Banco, o BanPro e o banco Canarias. Os bancos confederado e Bolívar foram nacionalizados e o BanPro e banco Canarias foram liquidados. Na sequência disso foi preso o irmão de Jesse Chacón (ministro da ciência venezuelano), Arné Chacón (presidente do Banco Real). Jesse Chacón então demitiu-se com a concordância de Chávez, justificando que quer com isso não prejudicar a investigação. Dada a existência de burocratas corruptos impõe-se uma remodelação do Governo que os substitua por revolucionários honestos (creio que isso só se encontra no PPT, no PCV e na ala esquerda do PSUV).

 

Enquanto isso a actual ministra do trabalho venezuelana aprovou a demissão de 10 dirigentes sindicais da empresa automobilística Mitsubishi, a medida foi exercida pelos patrões em parceria com os descarados sindicalistas reformistas bolivarianos, mas é oposta pelos sindicatos, da empresa e do sector, revolucionários bolivarianos (que são os mais representativos). Está aberta então uma perigosa ferida entre as bases e a cúpula da revolução na delicada questão da luta de classes. Chávez deveria se colocar contra os burocratas do ministério do trabalho e os sindicalistas boli-burgueses e a favor do sindicalismo revolucionário (que está agora a realizar o seu congresso com a sigla da UNT).

 

Evo Morales é re-eleito na Bolívia

 

O líder indígena Evo Morales foi re-eleito na Bolívia com uma confortável maioria de 62% na eleição presidencial e nas parlamentares (que decorrem simultaneamente no Domingo) também saiu vitorioso o seu Movimento Ao Socialismo (MAS). Amanhã já devem estar confirmados 80% dos votos dos resultados oficiais (as contagens costumavam durar uma semana).

 

Os resultados quer das presidenciais quer das parlamentares significaram um grande reforço do poder de Evo Morales e do MAS para continuarem as políticas progressistas da sua Revolução Democrática. Os derrotados são os candidatos da Oligarquia de direita, os políticos social-democratas opositores e um candidato da esquerda radical. O principal opositor derrotado foi Manfred Reyes Villa com 27%, um oligarca com ligações à CIA-USAID (a USAID para quem não sabe é o braço financeiro da CIA), depois ficou o empresário direitista Doria Medina com 6%, a seguir ficou o social-democrata René Joaquino com 3%, a seguir ficaram candidatos dos reformistas MUSPA e BSD com entre 1% e 0% e os candidatos esquerdistas mais radicais de Gente e PULSO com uma votação semelhante. As regiões do oriente boliviano tradicionalmente de direita assistiram a uma ascenção da votação do MAS.

 

O Movimiento Al Socialismo (MAS), de Morales, obteve entre 24 e 25 dos 36 membros do Senado, reduto que pertencia à oposição de direita entre 2006 e 2009, contra 10 e 11 do Plan Progreso (PP), de Reyes Villa, e 1 de Alianza Social (AS), de Joaquino.

Na Câmara de Deputados, sempre segundo dados de boca de urna, o MAS controlará 85 dos 130 lugares da Câmara Baixa, mais de dois terços. Por seu lado Reyes Villa colocou 40 dos seus candidatos, Doria Medina 4 e Joaquino 1 na Câmara Baixa.

A abstenção rondou os 6%, de un censo eleitoral de 5,1 milhões de cidadãos, os votos nulos e brancos situaram-se nos 2%.

publicado por Rojo às 16:12
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