Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Continua a crise bancária na Venezuela

Em Portugal como na Venezuela a Corrupção está a dar que falar, mas na Venezuela a Justiça actua com rapidez e severidade com os mafiosos.

 

 

A recente crise bancária na Venezuela, que começou com a descoberta de delitos em alguns bancos venezuelanos pelas autoridades de supervisão, continua a desenvolver-se. Até agora foram alvo de intervenção estatal os bancos: Confederado, Bolívar, Central Banco Universal, Banco Real, Canarias, ProVivienda, Baninvest e o Banorte. Um outro grande banco que também está a ser alvo de uma intervenção estatal é o Banco Industrial da Venezuela (uma intervenção que se tem alongado nos últimos anos).

 

Os 7 primeiros bancos alvo da intervenção estatal representam 8% dos depósitos do mercado bancário venezuelano (eles serão agora absorvidos pela banca estatal venezuelana).

 

Alguns banqueiros foram presos, é o caso de: Ricardo Fernández Berruecos, José Camacho e Caribay Camacho, além dos directores do Banco Real, Arné Chacón Escamillo (o irmão de um ex-ministro do governo de Chávez), Milagros Vivas e Giuzel Mileira Avendaño. Os banqueiros e cumplíces estão acusados de apropriação fraudulenta do dinheiro dos depositantes e de associação criminosa ("agavillamiento", literalmente conspiração). 

 

E outros banqueiros estão procurados pela Interpol pelos mesmos delitos: Alvaro Gorrin Ramos, Ruben Osuna, Juan Fernández Lara, Gonzalo Ernesto Vásquez, Carlos Ponce Fuentes, Gustavo José Mancera, José Omar Contreras, Luis Gustavo Kowalki e Pablo Botella Carretero. A procuradora-geral da república venezuelana, Luisa Ortega Diaz, declarou que a pena mínima para este tipo de crimes é de 9 anos. Outro acusado por ligação ao caso do Banco Canarias é o influente político opositor venezuelano, o social-democrata Ismael Garcia (acusado de fraude bancaria e fuga aos impostos).

 

Estas fraudes já custaram ao Estado venezuelano 59 milhões de Bolívares Fuertes (cerca de 19 milhões de Euros, ou quase 4 milhões de Contos). Mas os custos poderão alcançar os 113 milhões de BFs ou 36 milhões de Euros (7 milhões de Contos).

 

Os bens dos acusados já começaram a ser tomados pela Justiça venezuelana e as empresas possuídas pelos banqueiros acusados estão a ser tomadas pelo Estado venezuelano (pelo menos 11 empresas foram nacionalizadas para pagar as dívidas dos banqueiros).

 

Foi já anunciado oficialmente que os Bancos Confederado, Bolívar, Central Banco Universal e Banco Real serão nacionalizados e fundidos com o Banco estatal Banfoandes que será transformado no novo Banco Bicentenario. A isto acresce a recente nacionalização da seguradora "La Previsora" e a nacionalização em 2008 do maior banco venezuelano, o Banco de Venezuela (anteriormente possuído pelo grupo Santander). Com a nacionalização do Banco de Venezuela, o Estado venezuelano detinha cerca de 25% do sistema financeiro venezuelano, agora poderá ficar próximo dos 35%.

 

Outra notícia relacionada é que a Superintendencia de Bancos venezuelana (Sudeban) puniu o Banco Fondo Común, C.A. com uma multa de 1 milhão e 200 mil Bolívares Fortes, por incumprimento da percentagem mínima da carteira de crédito obrigatória que deve destinar cada banco ao financiamento do sector agrícola durante os últimos dois meses de 2008 e primeiros três meses de 2009.

 

Em outro processo continuam as investigações à volta do banqueiro Eligio Cedeño, processado por corrupção. Esta investigação já levou à prisão de uma juíza (María Lourdes Afiuni Mora) que num acto ilegal conduziu uma audiência improvizada que permiriu a fuga do banqueiro. Cedeño terá alegadamente pago 8 milhões de dólares pela sua fuga, segundo fontes policiais.

 

E ainda há notícias de outros casos de corrupção: como o mandato de prisão contra o ex-governador da região de Sucre (Venezuela), o opositor social-democrata, Ramón Martinez (suspeito num negócio obscuro que envolveu 800 mil BFs) e a denúncia do presidente Chávez que a Interpol não captura o opositor de direita Manuel Rosales fugido à justiça venezuelana (num processo de corrupção), que apareceu recentemente nos Estados Unidos.

 

Na nossa vizinha Espanha também se fala de corrupção com a seguinte notícia:

"Um total de 943 pessoas foram detidas nas 232 operações contra a corrupção efectuadas nos últimos 5 anos em Espanha, segundo estatísticas publicadas pela Policía Nacional espanhola no Dia Internacional contra a Corrupção.

As investigações por delitos como suborno, desvio de verbas, prevaricação, tráfico de influências, branqueamento de capitais ou falsificação justificaram a intervenção judicial de bens no valor de mais de 3000 milhões de Euros."

 

O Partido Comunista Venezuelano (tal como outros grupos como Maré Socialista e Corrente Marxista Revolucionária ligados ao PSUV) está a exigir a nacionalização de todo o sector bancário como única solução para combater a corrupção e criar um sistema bancário estável, transparente e ao serviço do povo venezuelano.

 

Última hora: foi preso o ex presidente da Comissão Nacional de Valores venezuelana,
Antonio Márquez, por suspeitas relacionadas com o caso da crise bancária.

 

Fontes: Aporrea, VTV e agencias

publicado por Rojo às 11:40
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