Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

DISCURSO DE UM INDÍGENA MEXICANO NUMA CIMEIRA DA UE

Nota: Enviado por e-mail pelo companheiro Filipe.

Um discurso feito pelo Cacique Guaicaípuro Cuatemoc, um líder indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.


Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.        

 

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica...".      

 

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.

publicado por Rojo às 17:39
link do post | comentar | favorito
|
4 comentários:
De José M. Sousa a 6 de Janeiro de 2010 às 21:23
Este embaixador parece não existir na realidade; de qualquer maneira teria sido interessante se o discurso tivesse ocorrido.

http://www.quatrocantos.com/LENDAS/110_guaicaipuro_cuatemoc.htm
De José M. Sousa a 6 de Janeiro de 2010 às 21:31
Ou então, trata-se de um cacique (chefe) índio:
http://www.ucsg.edu.ec/ice/articulo1_AMK.htm

Interesante es revisar también, desde el punto nuestro como acreedores reales de la deuda, el famoso discurso de el Cacique Gauicipuro Cautemoc realizado en Barcelona el 8 de febrero de 2002 abre los jefes de Estado de la Comunidad Europea. A continuación un breve resumen de su exposición:


“Aquí pues yo, Guaicaipuro Cuatémoc, he venido a encontrar a los que celebran el encuentro. Yo, descendiente de los que poblaron la América hace cuarenta mil años, he venido a encontrar a los que se encontraron hace quinientos años.
El hermano aduanero europeo me pide papel escrito con visa para poder descubrir a los que me descubrieron. El hermano usurero europeo me pide pago de una deuda contraída por Judas, a quien nunca autoricé a venderme. El hermano leguleyo europeo me explica que toda deuda se paga con intereses, aunque sea vendiendo seres humanos y países enteros, sin pedirles consentimiento. Yo los voy descubriendo. También yo puedo reclamar pagos, también puedo reclamar intereses. Consta en el Archivo de Indias. Papel sobre papel, recibo sobre recibo, firma sobre firma, que solamente entre el año 1503 y 1660 llegaron a Sanlúcar de Barrameda 185 mil Kg de oro y 16 millones Kg de plata provenientes de América. ¿Saqueo? ¡No lo creyera yo! Porque sería pensar que los hermanos cristianos faltaron al Séptimo Mandamiento. ¿Expoliación? ¡Guárdeme Tanatzin de figurarme que los europeos, como Caín, matan y niegan la sangre del hermano! ¿Genocidio? ¡Eso sería dar crédito a calumniadores como Bartolomé de las Casas, que califican al encuentro de 'destrucción de las Indias', o a ultrosos como Arturo Uslar Pietri, que afirma que el arranque del capitalismo y la actual civilización europea se deben a la inundación de metales preciosos. ¡No! Esos 185 mil Kg de oro y 16 millones Kg de plata deben ser considerados como el primero de muchos préstamos amigables de América destinados al desarrollo de Europa. Lo contrario sería presumir la existencia de crímenes de guerra, lo que daría derecho no sólo a exigir su devolución inmediata, sino la indemnización por daños y perjuicios. Yo, Guaicaipuro Cuatémoc, prefiero creer en la menos ofensiva de las hipótesis.

De Rojo a 7 de Janeiro de 2010 às 18:18
Oops... mas um Cacique dá sempre uma representação importante do Povo Mexicano.
De José M. Sousa a 9 de Janeiro de 2010 às 10:00
SIm, claro.

Comentar post

Informação Alternativa



Subscrever feeds

Sigam-nos no Facebook

Objectivos do Blogue

1) Apoiar a Revolução Venezuelana
2) Promover o carácter socialista da revolução
3) Combater a desinformação dos meios de comunicação capitalistas

Comentários recentes

A campanha Tirem As Mãos Da Venezuela voltou a est...
nice very thanks ver isto é bastant mt bom.. esse ...
A propósito da Venezuela, tivemos de fazer um tack...
É uma vergonha...Em Évora existe um call-center qu...
Este novo look é um espetáculo!
Olá, estou a estudar Português e eu aconteceram em...
É assim dessa forma enérgica e sem papas na língua...

Pesquisar neste blog

 

Temas

todas as tags

Ligações

participar

participe neste blog

Venezuela:

Área Total - 916.445 km²
(quase 10 vezes a área de Portugal)

População - cerca de 28 milhões
(quase 3 vezes Portugal)

PIB per capita -11.388 dólares (2008)
(em Portugal é de 22000 dólares)

Inflação: 25,1% (acumulada 2009)

Taxa de Desemprego:
6,6% (acumulado 2009)
7,5% (Nov2009)
8,1% (Out2009)
8,4% (Set2009)
8% (Ago2009)
8,5% (Jul2009)


Salário Mínimo:
1200 bolívares (206 / 461 euros) - (Jan2010)
967,50 Bolívares (313 Euros) - (Dez2009)


Índice de Pobreza: 24% (55% em 2003)
Índice de Pobreza Extrema: 7% (25% em 2003)


Mortalidade Infantil: 13,7 por cada 1.000 nascimentos (em 1998 era 26)

Esperança média de vida - 74 anos (72 em 1998)