Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Fragilidade da Venezuela

Citamos aqui um artigo de Miguel Urbano Rodrigues publicado em ODiario.Info sobre "a nova estratégia golpista dos EUA na América Latina". Podem ler o artigo completo no Odiário.Info.

 

Apresentamos aqui apenas as partes directamente relacionadas com a situação da Venezuela:

 

 

O sistema de poder imperial identifica como «ameaça» os governos da Venezuela Bolivariana e da Bolívia, que condenam o capitalismo, propondo como alternativa o socialismo. A Casa Branca teme que o Equador siga o mesmo rumo e não esconde a sua inquietação pela eleição no Uruguai, na Nicarágua, em El Salvador e no Paraguai de presidentes com programas anti-neoliberais (embora não os apliquem).

[...]

O regresso da IV Frota a águas sul-americanas antecipou uma decisão que configura uma ameaça ostensiva aos países que tentam seguir uma politica soberana: a instalação na Colômbia de 7 bases militares norte-americanas.

[...]

A ratificação pelo Congresso do Brasil da adesão da Venezuela ao Mercosul foi, entretanto, um rude golpe para os EUA.

[...]

A nova estratégia golpista para o Hemisfério foi concebida precisamente para dar uma resposta global ao avanço das forças progressistas no Sul do Continente. O Departamento de Estado e o Pentágono chegaram à conclusão de que era urgente travar esse avanço.

Em Washington exclui-se por ora a intervenção militar directa em países que não se submetem. A repercussão internacional de uma iniciativa desse género seria desastrosa para a imagem dos EUA, tão desgastada pelas suas guerras asiáticas.

Mas seria uma ingenuidade crer que as bases norte-americanas na Colômbia não serão utilizadas para uma escalada de provocações contra a Venezuela e outros países da Região. Independentemente do reforço da intervenção contra as FARC, a heróica guerrilha-partido caluniada pelo imperialismo.

[...]

Destruir por dentro o regime venezuelano seria, na opinião dos assessores de Obama, o objectivo principal. Hillary tem aliás multiplicado os ataques ao governo de Caracas, consciente de que a Venezuela bolivariana é hoje – como afirma o economista francês Remy Herrera – «uma das frentes anti-imperialistas mais dinâmicas do mundo»

Mas a Revolução Bolivariana atravessa uma fase difícil. A queda do preço do petróleo privou o governo de recursos financeiros que foram fundamentais na batalha contra o analfabetismo, no fornecimento de alimentos subsidiados às camadas mais pobres da população e para o êxito das misiones que tornaram possível, com a cooperação solidária de mais de 20.000 médicos cubanos, prestar assistência médica a milhões de venezuelanos que a ela não tinham acesso.

A enorme popularidade do presidente junto das massas e a adesão destas à condenação do capitalismo e ao projecto de transição para o socialismo como alternativa à hegemonia do imperialismo resultou sobretudo da humanização das condições de vida da grande maioria da população, afundada na miséria.

Os efeitos da crise mundial do capitalismo, ao manifestarem-se na Venezuela – nomeadamente através das cotações do petróleo e de uma inflação acelerada – afectaram, como era inevitável, toda a estratégia de desenvolvimento.

O Partido Socialista Unido da Venezuela – PSUV – não atingiu o objectivo. A sua fundação respondeu a uma necessidade histórica. Mas o PSUV foi criado à pressa, por decisão do Presidente, e estruturado de cima para baixo, com intervenção mínima das massas populares. Resultado: nasceu infestado de oportunistas. É significativo que o Partido Comunista da Venezuela e o Pátria para Todos, duas organizações revolucionárias que sempre apoiaram (e apoiam) Chávez não se tenham dissolvido e integrado no PSUV.

O chamado Socialismo do Século XXI pretende ser a ideologia que encaminhará a Revolução bolivariana para um socialismo original. Mas aqueles que identificam nele um «modelo» para a América Latina têm contribuído sobretudo para semear a confusão ideológica. Alguns dirigentes e quadros do PSUV mostram-se mais preocupados em criticar o marxismo do que em colaborar com o Presidente na desmontagem das engrenagens do Estado venezuelano que permanecem sob controlo da burguesia.

Contrariamente ao que muitos europeus crêem, a Venezuela continua a ser um país capitalista no qual as antigas elites conservam um grande poder económico que lhes garante a propriedade dos meios de produção (terras, indústrias, comércio, etc.), o controle parcial da actividade bancária e financeira, e dos meios de comunicação social.

É nesse contexto que uma oposição poderosa e cada vez mais arrogante desafia Hugo Chávez, consciente de que a sobrevivência da revolução bolivariana está indissoluvelmente ligada à pessoa do Presidente.

As esperanças dos EUA residem por isso mesmo num agravamento da situação económica do país que altere a correlação de forças existente.

Sondagens recentes revelaram que a popularidade de Chávez tem diminuído.

Não podendo intervir militarmente, Washington apoia nos bastidores todas as iniciativas da oposição que possam destabilizar o país, dividir o chavismo, semear dúvidas nas Forças Armadas e enfraquecer o poder do Presidente.

Não se deve – repito – subestimar o perigo representado pela paciente estratégia golpista da Administração norte-americana no tocante à Venezuela. Washington trata de favorecer ao máximo, e estimular através de provocações externas, o trabalho interno de sabotagem da Revolução bolivariana.

[...]

O actual orçamento de defesa dos EUA, de 700.000 milhões de dólares é superior a todos os demais orçamentos militares do mundo somados.

Relativamente à América Latina, o compromisso de uma nova política é negado pela realidade. A nova estratégia intervencionista da Casa Branca para o Sul do Hemisfério é mais intervencionista e perigosa do que de George Bush.

Do Rio Grande à Patagónia os povos começam a tomar consciência dessa ameaça. Os alvos prioritários são a Venezuela bolivariana e a Bolívia. Grandes lutas contra o imperialismo estadounidense esboçam-se no horizonte.

 

Podem ler o artigo completo no Odiário.Info.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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