Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Os ditadores e os democratas

Ligo a televisão. Dizem-me que o mundo está ameaçado pelos perigosos ditadores Chávez da Venezuela e Fidel de Cuba ou então por Raul Castro que o sucedeu. Os justiceiros de serviço são os agora os democratas primeiro-ministro Zapatero do Estado Espanhol e Álvaro Uribe presidente da Colômbia.

 

Os Estados Unidos fazem de conta que não tem nada a ver com isto e assobiam para o lado.

 

Chávez é acusado de fechar uma televisão e perseguir a "oposição", os irmãos Castro são acusados de prender "dissidentes" e de "matarem" um homem que fez greve de fome. Os motivos para fechar a televisão não vêem ao caso nem sequer se quer saber o que reivindicava o homem que fez greve de fome.

 

A somar a isto está uma sentença da Audiência Nacional, tribunal superior espanhol, que agora diz que Chávez e os Castro apoiam a ETA e as FARC, ou seja nas palavras dos media burgueses, o terrorismo. Uma estranha sentença esta que acusa sem constituir sequer como suspeitos os governos da Venezuela e de Cuba, ou seja, um juiz limita-se a atirar acusações para o ar.

 

O parlamento europeu dominado por uma direita rançosa aproveita uma e outra vez para fazer votos em defesa dos "dissidentes" de Cuba e da Venezuela e contra as respectivas ditaduras.

 

Zapatareo e Uribe

 

Os governos da Estado Espanhol e a Colômbia parecem eleger-se os arautos da democracia e direitos humanos contra as ditaduras e o terrorismo.

 

Agora o ministro espanhol de negócios estrangeiros, Morantinos, até diz "Uribe é um dos dirigentes que maior compromisso tem demonstrado com respeito aos direitos humanos". Parece que o governo colombiano dirá o mesmo de Zapatero.

 

Por outro lado, nesta mesma semana, a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, diz precisamente o contrário: "No relatório apresentam-se vários tipos de violações aos Direitos Humanos de sindicalistas, jornalistas, advogados, comunidades indígenas, afro-colombianos, entre outros. Entre os delitos de lesa humanidade a Alta Comissária da ONU menciona assassinatos, alguns deles com torturas, ameaças e perseguições. As chamadas ''chuzadas'' (escutas telefónicas) contra jornalistas e opositores ao Governo de Álvaro Uribe estão também incluídas na lista."

 

O compromisso de Uribe com os direitos humanos álias pode ser visto em várias das façanhas do Estado colombiano tais como: o apoio a grupos paramilitares que desde os anos 80 mataram mais de 30.000 pessoas e roubaram 6 milhões de hectares de terra aos camponeses, o extermínio dos 5000 militantes do Partido União Patriótica (a esquecida tentativa das FARC se integrarem à luta política pacífica), o facto da Colômbia ser recordista mundial há muitos anos no assassinato de sindicalistas e muitas outras coisas que se incluem no artigo "investigam-se 1200 execuções extra-judiciais cometidas pelo exército durante o mandato de Uribe". Sobre o Estado de terror colombiano também já escrevi anteriormente ser o epicentro do novo fascismo latinoamericano e ser ditatorial e mafioso.

 

Nesta mesma semana, a mesma Audiência Nacional que acusa a Cuba e à Venezuela se recusa a julgar como terroristas 5 membros do grupo armado de fascista "Falange e Tradição" que assumem 25 actos terroristas contra militantes independentistas e comunistas na região do País Basco. Este grupo de extrema-direita reuniu-se num edifício do Ministério da Defesa espanhol pelo que já se podem estabelecer semelhanças com o terrorismo de Estado praticado pelos GAL nos anos 80.

 

E parece que a "democracia" do Estado Espanhol continua torturar em nome da luta contra o terrorismo segundo denuncia um órgão da ONU: "O Relator Especial contra a Tortura, Manfred Nowak, apresentou perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU um relatório sobre violações de direitos no Estado espanhol, no qual reitera a denúncia do regime de incomunicação e da política de dispersão (...) Nowak recomendou ao Estado espanhol a supressão do regime de incomunicação, por entender que «viola as salvaguardas próprias de um Estado de Direito contra os maus tratos e atos de tortura». Por isso, reitera a sua «preocupação pela limitação de certas garantias durante este período»."

 

Enfim, parece que os "democratas" Uribe e Zapatero têm à sua conta suficientes crimes de terrorismo e tortura (do lado espanhol) e de genocídio (do lado colombiano) para merecerem ser chamados de ditadores fascistas. E parece que eles ainda se elogiam mutuamente, pelo que estão feitos um para o outro.

 

Como nota de rodapé, Berlusconi fez uma lei para adiar os julgamentos que o envolvem, Sócrates continua a chafurdar nas suas mentiras e corrupção.

 

Esta é a sorte que nós temos em haver "democracia" por cá.

publicado por Rojo às 17:36
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