Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Pelos caminhos da Grande Marcha

9 de Março de 2010

Guatá - Inventário da Coluna Prestes registra materiais, trincheiras e espaços percorridos pelos rebeldes que enfrentaram a República Velha.

 

Cenários de combate, trilhas e trincheiras, museus e espaços remanescentes da Coluna Prestes, estão sendo mapeados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que irá proteger os vestígios históricos do movimento liderado por Luiz Carlos Prestes.

A Coluna Prestes foi um dos principais acontecimentos sociais do país, durante o século vinte. Oficiais do exército brasileiro percorreram 25 mil quilômetros, entre 1924 e 1927, com o objetivo de depor o então presidente Artur Bernardes. A luta dos tenentes por melhorias sociais e políticas teve como ponto de partida as ruínas de São Miguel Arcanjo, no Rio Grande do Sul, reunindo 300 soldados. A Coluna Prestes, propriamente dita, foi formada nos arredores do municipio de Foz do Iguaçu (Porto Santa Helena), na região O

A primeira etapa do cadastro, reunindo bens materiais do caminho percorrido pela Coluna Prestes na região Sul do país, já foi concluída. Até aqui, a equipe de arquitetos designada pelo Iphan realizou pesquisas principalmente no Rio Grande do Sul, passando pelas cidades de Alegrete, Bagé, Cachoeira do Sul, Caiçara, Pinheirinho do Vale, Vicente Dutra, Itaqui, Pedras Altas, Santana do Livramento, Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, Tenente Portela e Uruguaiana. No estado gaúcho, A equipe técnica já sugeriu o tombamento da ponte férrea de Comandai, construída pelo grupo de Prestes, no ano de 1923. A cidade de Santo Ângelo já abriga um memorial dedicado aos revolucionários.

Também foi indicado para ser tombado, em nível federal, o Castelo de Pedras Altas, que era propriedade do então diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasil. O castelo é considerado um dos cenários da Revolução de 1923 e da Coluna Prestes. Em Alegrete, túmulos onde foram sepultados combatentes estão assinalados apenas por pedras. Os pesquisadores do Iphan sugeriram que fossem colocados marcos indicativos onde ocorreram batalhas no município.

Na cidade de Catanduvas, no Paraná, os estudiosos encontraram um homem de 97 anos, que se lembrava dos nomes dos líderes que passaram pelo local. Talvez esta seja a  única testemunha ainda viva do movimento no Sul.

O “Inventário dos remanescentes do patrimônio material relacionados à Coluna Prestes” está sendo realizado por meio de contratação de serviços técnicos para pesquisa histórica, iconográfica, cartográfica e de levantamento cadastral dos vestígios da marcha. O levantamento completo deverá ser concluído até o final de 2010.

A Coluna Prestes refletiu a insatisfação de parcela do povo com a oligarquia da representada pela República Velha, opondo o Brasil urbano que estava nascendo às formais mais conservadoras, ligadas ao passado agrário. Os jovens tenentes lutaram por liberdade e melhorias nas condições de vida de toda a população, levantando bandeiras em defesa de reformas institucionais, como a instituição do voto secreto e do ensino público.

A marcha não sofreu nenhuma derrota em confrontos com o exército, durante todo o seu trajeto, que incluiu 13 dos 20 Estados existentes na época.

Ponte Queimada

Os militares da coluna ingressaram em terras paranaenses conquistando as cidades de Guaíra e Foz do Iguaçu, onde estabeleceram o seu quartel-general, e depois, tomando o domínio de Catanduvas. Deixaram a região ainda nos primeiros meses de 2005. Perseguidos por militares governistas, comandados pelo general Cândido Rondon, os militares da Coluna Prestes queimaram a ponte do rio São Francisco Falso, no município de Santa Helena, para impedir o avanço da tropa legalista. O local da antiga ponte, construída em 1900, ficou conhecido como “Ponte Queimada”, e as ruínas da construção foram consideradas como patrimônio histórico do município.

Próximo à área da “Ponte Queimada”, foi erguido um monumento em homenagem à Coluna Prestes. A escultura foi projetada em 1996, pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Cavaleiro da Esperança

No próximo dia 07 de março, terão passados vinte anos da morte de Luiz Carlos Prestes. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 1922, Prestes foi um dos mais importantes dirigentes do movimento comunista internacional. Depois de liderar a Coluna Prestes, passou a estudar a fundo a teoria marxista, vivendo um período na então União Soviética. Em 1935, comandou o levante comunista que tomou várias cidades brasileiras. Teve a sua patente cassada pelo exército. Foi membro da executiva internacional comunista e, em 1945, elegeu-se senador pelo PCB do Rio com mais de 160.000 votos.

Na II Guerra Mundial, sua mulher, Olga Benario Prestes, foi entregue a agentes do governo nazista, mesmo grávida, morrendo num campo de concentração. Em 1964, com o regime militar, Prestes voltou à clandestinidade e, em 1971, exilou-se na União Soviética. Voltou ao Brasil em 1979, após ter sido beneficiado pela anistia, contabilizando nove anos de prisão, dezesseis no exílio e dezoito na clandestinidade.

Luiz Carlos Prestes faleceu em 07 de março de 1990, aos 92 anos, negando conciliação entre as classes sociais e sonhando com uma revolução socialista no Brasil.

http://www.ilcp.org.br/

Fonte: Diário Liberdade (Galiza)

 

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publicado por Rojo às 10:31
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