Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Venezuela aumentou produção, emprego e dividendos

Resultados da propriedade estatal


A nacionalização de 200 empresas ligadas ao sector petrolífero permitiu à Venezuela incrementar a produção de hidrocarbonetos, criar postos de trabalho e aumentar os dividendos arrecadados pelo Estado.

Durante mais uma edição do programa semanal «Alô Presidente», realizado num complexo fabril ligado ao sector da extracção de petróleo e gás natural, no Estado de Anzoátegui, Hugo Chávez sublinhou que, há três anos, quando as unidades a operarem na Faixa Petrolífera ainda estavam nas mãos de companhias privadas nacionais e estrangeiras, os venezuelanos não podiam manejar os seus recursos naturais de forma soberana. Em resultado disso, as orientações implementadas no sector dos hidrocarbonetos não estavam afectas a uma política patriótica no interesse do povo e do desenvolvimento do país, mas a uma política ao serviço da maximização do lucro do capital.
Desde então, e fruto da nacionalização de duas centenas de empresas, não só cresceram a produção e o total de dividendos arrecadados directa e indirectamente (por via fiscal) pelo Estado venezuelano, como foram investidos avultados montantes na modernização técnica das infra-estruturas, como, ainda, foram criados cerca de 6 mil novos postos de trabalho e assegurados aos trabalhadores salários justos, direitos e regalias, lembrou Chávez.
O máximo responsável pelo executivo bolivariano aproveitou ainda a ocasião para demonstrar confiança na capacidade dos trabalhadores em participarem activamente na gestão das empresas recuperadas. «Aqui estamos a provar que o povo venezuelano tem capacidade de gerir os seus próprios recursos, mesmo que a burguesia apátrida diga que é a única capaz de orientar a economia, o dólar, os bancos, as fábricas de alimentos, a agricultura, a indústria petrolífera, etc.», insistiu.
Recorde-se que do total de empresas do sector petrolífero transformadas em propriedade nacional, 33 são de petróleo e gás natural, 82 são de serviços e operações de apoio, 6 são de fabricação de estruturas e material industrial, e outras 79 estão relacionadas com serviços públicos prestados.

Dispostos a intervir

Paralelamente às declarações do presidente da Venezuela, um estudo divulgado pelo Grupo de Investigação Social (GIS XXI) afirma que 78,5 por cento dos venezuelanos concorda com a participação dos trabalhadores na gestão das empresas, uma vez que está provado que tal melhora a sua eficiência.
A pesquisa do GIS XXI, conduzida durante o mês de Maio, revela, no entanto, uma diferença de opinião quando considerados os estratos mais abastados da sociedade – 64 por cento estão de acordo com a medida – e as camadas populares, onde mais de 80 por cento defende a implementação de mecanismos de participação dos trabalhadores.
Ao documento elaborado pela GIS XXI, acresce um outro semelhante elaborado pela Iberobarometro no mesmo período, no qual 62 por cento dos inquiridos afirma que o país está a ser governada de acordo com a vontade do povo.

Bancos de comunas socialistas
Governo financia

Realizou-se, a semana passada, a cerimónia de entrega de mais de 98 milhões de bolívares fortes a 52 instituições bancárias comunais. O objectivo das entidades recentemente criadas, dizem, é financiar projectos e investimentos levados a cabo pelas camadas mais baixas da população.
«Este dinheiro é do povo, é parte da receita nacional, petrolífera e não petrolífera, que antes era arrecadada pela burguesia», disse Hugo Chávez durante a sessão oficial.

O presidente aproveitou ainda para lembrar que o Estado já transferiu, desde 2006, para os Conselhos Comunais e para as Comunas Socialistas, mais de 11 mil 500 milhões de bolívares fortes destinados a suportar quase de 33 mil 500 projectos locais.
Os Conselhos Comunais e as Comunas Socialistas ultrapassam já os 200 em todo o território nacional. Nestes organismos de poder popular, desenvolvem-se programas de produção de materiais de construção ou alimentos através das Empresas de Propriedade Social. O sistema, carece, ainda de novos avanços para continuar a progredir no sentido de dar resposta à necessidades populares. Apesar de estarmos a construir uma rede de distribuição, necessitamos de uma rede de transporte de materiais que não seja um obstáculo ao desenvolvimento dos projectos em curso, expressou Chávez.

Executivo bolivariano prossegue orientação
Garantir a soberania alimentar

O governo bolivariano da Venezuela prossegue, através das entidades competentes para o efeito, a trabalhar no sentido de garantir não só a soberania alimentar do país mas também que os produtos chegam aos consumidores em condições e preços adequados às orientações políticas definidas.
Só nas últimas semanas, mais de mil inspecções foram efectuadas em toda a cadeia alimentar pela Guarda Nacional Bolivariana, o Instituto para a Defesa do Acesso aos Bens e Serviços, Instituto Nacional de Silos, Armazéns e Depósitos Agrícolas, e os ministérios da Alimentação, Agricultura e Terras e das Indústrias Intermédias.
O objectivo foi assegurar a existência de matérias-primas e produtos acabados em qualidade e quantidade suficiente, sobretudo os que compõem o cabaz básico de consumo vendido a preço popular nas cadeias de distribuição estatais.
Um dos problemas com os quais se confronta o executivo bolivariano é o do boicote alimentar por parte da agro-indústria e das cadeias privadas de armazenamento e distribuição.
No final deste mês, o governo voltou a ser obrigado a intervir em outras 18 empresas relacionadas com a distribuição de alimentos, a maioria das quais situadas na capital, Caracas. As infracções mais detectadas são a especulação no preço de bens incluídos no cabaz básico, o desvio de toneladas de géneros para o mercado negro, a deterioração dos produtos, o açambarcamento, contrafacção de medicamentos ou a transacção de bens sem qualquer registo.

Atacar a negligência e a corrupção

Mas a vigilância das autoridades não se limita apenas às companhias privadas ou aos estabelecimentos e armazéns particulares. Também em milhares de depósitos da pública Pdval foram detectadas 70 mil toneladas de alimentos importados e nunca distribuídos. A Venezuela importa cerca de 80 por cento dos alimentos que consome.
As autoridades judiciais já mandaram prender o ex-presidente da companhia, Luís Enrique Pulido, e os representantes sindicais de empresas estatais exigem que sejam apuradas todas as responsabilidades, doa a quem doer.
Os trabalhadores também não se conformam e pretendem que para além do apuramento da verdade sobre as suspeitas de corrupção e negligência, sejam tomadas medidas que resolvam a incapacidade operativa dos portos e armazéns públicos de onde saem para 14 estados os géneros alimentares importados.

 

Texto publicado no jornal Avante! no dia 17 de Junho de 2010

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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