Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Quem é terrorista na Colômbia?

por Carlos A. Lozano Guillén [*]

Quadro de Fernando Botero. A senadora Piedad Córdoba (Partido Liberal) questionou em dias passados, em Madri, Espanha, a inconveniência de que a União Européia mantenha na "lista de organizações terroristas" as FARC e o ELN , grupos insurretos colombianos, de natureza política e militar e partes de um conflito de longas décadas no país. Realmente é inconsequente, se a UE aspira a contribuir para a paz na Colômbia e para a saída política do conflito armado, manter essa decisão claramente imposta pelas pressões dos governos colombiano e norte-americano, sócios da guerra contra o nosso povo.

Apesar de que a inclusão nessa lista das guerrilhas colombianas foi em 2002, posteriormente França e Espanha, acompanhadas da Suiça, que não é membro da União Européia e não considera como terroristas as FARC e o ELN, contribuiram como "países amigos" para a libertação de detidos em razão do conflito armado e na busca do intercâmbio (troca) humanitária de prisioneiros de guerra. Com dois de seus emissários, Noé Sáenz e Jean Pierre Gontard, processados e perseguidos com o pretexto de que seus nomes constam os computadores de Raúl Reyes (assassinado no Equador em 2008).

Muito oportuna a alusão de Piedad Córdoba e, além disso, necessária de ser atendida, porque se existe a disposição da União Européia de contribuir no futuro para a paz da Colômbia diante do fracasso da guerra uribista, tem que adotar decisões que facilitem seu papel neste sentido. O contrário é quase que autoexcluir-se de uma gestão humanitária, própria de um coflito de natureza política e social como o colombiano.

Lembro que quando se adotou a decisão em junho de 2002, encontrava-me na Europa, em um giro, quase que solitário, promovendo a idéia da troca de prisioneiros ou intercâmbio humanitário, no início do primeiro governo de Álvaro Uribe Vélez, que não aceitava qualquer compromisso sobre o tema, muito menos para a paz negociada. Diante de funcionários das chancelarias da Espanha, Suécia, Áustria, França, Itália, Bélgica e do Vaticano, deixei claro que essa decisão não contribuia para o futuro papel dos europeus como facilitadores ou mediadores de paz em nosso país. O que seria, na eventualidade de aproximações entre as partes, quase que indispensável, porque a desconfiança recíproca ia ser um fator de perturbação e obstáculo.

Observei que as chancelarias, pelo menos a maioria delas, tinham a mesma percepção. Mas foi o funcionário espanhol, ainda no governo de José Mária Aznar, que me deu a explicação de fundo: "Não podemos eludir a exigência do irmão maior", me disse. Resta dizer que o "irmão maior" era o governo de George W. Bush, sócio da Espanha e da Grã-Bretanha na agressão terrorista ao povo iraquiano. É parte da hipocrisia destes países em temas fundamentais nos quais prima o interesse de classe. Simplesmente isso.

 

[*] Membro do Burô Político do Partido Comunista Colombiano e editor do jornal "VOZ".

O original encontra-se em "Voz", nº 2542, a tradução em pcb.org.br

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
23/Jun/10

publicado por Rojo às 12:19
link do post | comentar | favorito
|

Informação Alternativa



Subscrever feeds

Sigam-nos no Facebook

Objectivos do Blogue

1) Apoiar a Revolução Venezuelana
2) Promover o carácter socialista da revolução
3) Combater a desinformação dos meios de comunicação capitalistas

Comentários recentes

A campanha Tirem As Mãos Da Venezuela voltou a est...
nice very thanks ver isto é bastant mt bom.. esse ...
A propósito da Venezuela, tivemos de fazer um tack...
É uma vergonha...Em Évora existe um call-center qu...
Este novo look é um espetáculo!
Olá, estou a estudar Português e eu aconteceram em...
É assim dessa forma enérgica e sem papas na língua...

Pesquisar neste blog

 

Temas

todas as tags

Ligações

participar

participe neste blog

Venezuela:

Área Total - 916.445 km²
(quase 10 vezes a área de Portugal)

População - cerca de 28 milhões
(quase 3 vezes Portugal)

PIB per capita -11.388 dólares (2008)
(em Portugal é de 22000 dólares)

Inflação: 25,1% (acumulada 2009)

Taxa de Desemprego:
6,6% (acumulado 2009)
7,5% (Nov2009)
8,1% (Out2009)
8,4% (Set2009)
8% (Ago2009)
8,5% (Jul2009)


Salário Mínimo:
1200 bolívares (206 / 461 euros) - (Jan2010)
967,50 Bolívares (313 Euros) - (Dez2009)


Índice de Pobreza: 24% (55% em 2003)
Índice de Pobreza Extrema: 7% (25% em 2003)


Mortalidade Infantil: 13,7 por cada 1.000 nascimentos (em 1998 era 26)

Esperança média de vida - 74 anos (72 em 1998)