Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Venezuela, importante vitória

As eleições legislativas de 26 de Setembro na Venezuela tiveram um vencedor claro. A aliança revolucionária constituída pelo PSUV, PCV e outras organizações aliadas conquistou a maioria absoluta dos assentos parlamentares (98 em 165). Um resultado que corresponde ao maior número de votos conquistado pelo campo bolivariano tanto no plano nacional como na maioria dos estados (18 de 24) e círculos eleitorais (56 de 87) do país.

Uma importante vitória da Revolução Bolivariana que a abominável campanha de intoxicação mediática que se ergue em torno da Venezuela pretende apresentar como um triunfo da «oposição chavista», aclamando o seu «regresso» ao Parlamento. Manobra de inversão da realidade que finge ignorar que as principais forças que compõem a coligação «democrática» oposicionista – saco de gatos onde cabe quase tudo, da extrema-direita e todas as colorações da direita venezuelana ao esquerdismo mais pequenino e radical, passando pela desacreditada social-democracia de linhagem e os destroços das sucessivas vagas oportunistas da «esquerda renovadora» – não participou nas anteriores eleições parlamentares por opção própria, naquela que constituiu uma tentativa desesperada para deslegitimar o processo iniciado em 1998, depois de esgotados os cartuchos do golpe de Estado e da assassina desestabilização patronal do vital sector petrolífero, em 2002-03


É certo que o ambicioso objectivo de uma maioria de 2/3 não foi alcançado. Tão pouco pode ser subestimada a tendência relativa de progressão eleitoral demonstrada pelas forças da reacção nos últimos 3-4 anos, para a qual contribuem factores de índole diversa.

Tais factos não retiram porém significado a esta nova vitória da unidade popular e do «povo trabalhador», como o expressam os comunistas venezuelanos na nota divulgada pelo PCV no dia 27. Ao fim de quase 12 anos de Governo bolivariano sob a liderança do presidente Hugo Chávez é notável a capacidade de resistência demonstrada por um processo que ousou afrontar o domínio da grande burguesia e do imperialismo. Isto num quadro de radicalização da luta de classes no país e permanente decantação de forças (em que partidos como o Podemos e o PPT, que representavam perto de 12 por cento do espectro eleitoral em 2006, abandonaram o campo bolivariano). Quadro aliás inseparável dos efeitos da maior crise sistémica do capitalismo sentidos na pátria de Bolívar. Para não falar das incessantes campanhas subversivas de uma burguesia desapossada do governo mas poderosa economicamente e directamente vinculada à agenda imperialista dos EUA e da UE.

 

Acima de tudo, a presente vitória abre condições para prosseguir o caminho de fortalecimento da Revolução Bolivariana

O processo transformador que saiu das entranhas de uma Venezuela riquíssima mas assoberbada pelas mazelas e decadência extremas da exploração capitalista constitui hoje um laboratório social ímpar. Ali a exigente e complexa luta pela construção da soberania e independência nacionais e a consequente necessidade de afirmação da natureza anti-imperialista da revolução bolivariana evoluiu rapidamente para um processo de emancipação com crescentes elementos anti-capitalistas e a assunção do objectivo da transição ao socialismo que move milhões de homens e mulheres. Interesses e perspectivas irreconciliáveis confrontam-se nas batalhas épicas entre a construção do Novo e a persistência do Velho travadas hoje em terras venezuelanas. O seu desfecho está em aberto. Com a certeza de que o imperialismo tudo tentará fazer para derrotar aquela experiência também marcante para a emancipação latino-americana e dos povos do Sul em geral.

 

 

Texto de Luís Carapinha publicado no jornal Avante! de 30 de Setembro de 2010.

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publicado por Alexandre Leite às 22:01
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