Sábado, 4 de Abril de 2009

O maoísmo na Venezuela Bolivariana

Liga Socialista

 

Um dos mais antigos partidos maoístas venezuelanos chama-se Liga Socialista e começou por ser um braço político da guerrilha "Organização de Revolucionários" (OR) cuja formação se remonta a 1969, segundo a wikipédia. A sua origem deu-se a partir da fragmentação da guerrilha rural do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR, em sigla espanhola) em 1968, cuja direcção em maioria desiste da luta armada. Inicialmente era constituida pela guerrilha OR, a partir de 1969, mas seguindo uma estratégia de combinar uma guerrilha urbana (os OR) com um trabalho político legal, funda-se a Liga Socialista em 1973 (fonte: basirruque, jornal da LS).

 

Com este trabalho político legal a Liga Socialista participa em várias eleições em coligações de esquerda (apoiando José Vicente Rangel em 1983 e Chávez a partir de 1998) tendo obtido como máximo de votos cerca de 58 mil a nível nacional em 2006. A Liga Socialista (LS), tal como o MIR e a OR que a originaram, teve sempre como base social os estudantes universitários. Hoje a LS é uma corrente interna (chamada "socialistas")  do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o principal partido da revolução venezuelana. O seu líder histórico era Jorge Rodriguez Gomez (brutalmente assassinado pelo Estado burguês) pai do actual presidente da câmara municipal de Libertador (Caracas) pelo PSUV.

 

Bandera Roja

 

Um outro partido maoísta formado quase ao mesmo tempo que a Liga Socialista, foi o "Bandera Roja", em outra dissidência do MIR. Formou-se em 20 de de Janeiro de 1970 (fonte: Wikipédia). Este grupo enveredou pela linha maoísta mais radical e ultra-esquerdista, seguindo o maoísmo albanês de Enver Hoxha. A sua base social foram sempre os estudantes universitários do mesmo modo que a Liga Socialista, mas chegou a ter uma implantação rural considerável. Desde a sua fundação até meados dos anos 80 obteve várias vitórias militares como guerrilha rural enfrentando o exército venezuelano e foi crescendo. Mas em 1982 sofreu uma pesada derrota com um enfrentamento com o exército que praticamente a dizimou. A partir daí passou a focar mais no seu trabalho político nas cidades (com pequenas acções de guerrilha urbana e luta de massas), concretamente nas universidades, embora a guerrilha rural só fosse oficialmente dissolvida em 1994. Em 1992 o partido BR apoiou a insurreição popular-militar, de partidos de esquerda e de militares leais a Hugo Chávez

 

Com a eleição de Chávez em 1998, este partido inicia uma deriva de direita, colocando-se em oposição a Chávez dentro da aliança da direita venezuelana, inicialmente chamada de "Coordenadora Democrática", para se tornar num autêntico grupo d choque dos capitalistas. O seu líder histórico é Gabriel Puerta Aponte. Alguns dos seus antigos quadros passaram para o lado chavista (sendo mais consequentes com os seus ideais), como é o caso do ministro da Agricultura, Elías Jaua, e da dirigente do PSUV, Vanessa Davies, ambos tinham sido recrutados pela BR em universidades. Outros passaram para os partidos de direita, sofrendo com isso o Bandera Roja um forte esvaziamento.

 

Movimento Revolucionário Tupamaro

 

O Movimento Revolucionário Tupamaro (MRT) é um movimento maoísta muito sui generis, pela forma como nasceu e pelas características da sua acção. Nasce em 1992 como consequência da revolta popular do "Caracazo" (em 1989), tendo origem no "complexo de favelas" 23 de Janeiro. Portanto desafia a lógica do maoísmo tradicional oriental baseado nos camponeses das zonas rurais e também desafia a lógica do maoísmo ocidental baseado tipicamente em estudantes de classe média (ou camadas pequeno-burguesas como se diz na gíria marxista). A sua acção foi sempre caracterizada por defender as "favelas" ou bairros populares (sendo os seus bastiões em Caracas) da acção repressiva da polícia e da influência nefasta dos traficantes de droga (ambos considerados pelo MRT como agentes do capitalismo), enquanto apoiam formas de participação popular ou auto-organização (exemplo: rádios e televisões comunitárias, conselhos comunais e "missões"). Pelo lado negativo há que referir que este grupo mantém alguns confrontos com outros grupos chavistas baseados nos bairros, por exemplo com a Unidade Popular Venezuelana (UPV).

 

Com a chegada ao poder de Chávez, o MRT começa a participar em eleições, deixando a clandestinidade (chegando a obter 67 mil votos a nível nacional). Não se fundiu no PSUV como outros grupos chavistas (essa questão foi postergada). O seu líder é José Tomas Pinto Marrero.

publicado por Rojo às 10:26
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