Sábado, 18 de Abril de 2009

A América Central está mudando e a Colômbia?

13/04/2009

Em 15 de março, a Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN) chegou pela primeira vez na história à presidência de El Salvador, com seu candidato, o jornalista Mauricio Funes. esta antiga guerrilha, depois de conduzir por 12 heróicos anos a defesa dos oprimidos, sofrer massacres de povoados inteiros simpáticos à sua causa, padecer a cruel repressão dos esquadrões da morte,  viu o sonho de tantos de seus mártires tornar-se realidade.

Por Pascual Serrano, no Público* (jornal espanhol)

A FMLN, como aconteceu em toda a América Central, teve de suportar por todos estes anos a paranóia anticomunista, marcada a ferro e fogo na sociedade local pelas infames campanhas ideológicas da direita, que mantinha o discurso da Guerra Fria. Apesar do tremendo apoio social, não conseguia chegar à presidência devido à sistemática ameaça dos Estados Unidos, de bloquear as remessas dos 2 milhões de salvadorenhos que trabalham no país do norte, um número igual à metade dos eleitores no país.

Foram precisos 17 anos desde a assinatura dos acordos de paz para que uma nova geração de salvadorenhos se recuperasse dos milhares de militantes e quadros assassinados, superasse a manipulação anticomunista e perdesse o medo das pressões americanas.

Mudanças centro-americanas

Com esta vitória, a América Central  definitivamente sacode a colonização dos Estados Unidos, que materializou ali  sua última orgia de sangue contra os movimentos populares latino-americanos. Na Nicarágua, o Sandinistas regressaram ao poder depois de cometer o pecado de governar durante os anos de mais dura ciontra-insurgência dos EUA.

Na Guatemala, a paz com a guerrilha de esquerda (URNG), foi assinada em 1996, após nada menos que 36 anos de guerra. A direita permaneceria no poder até finais de 2006, quando o social-democrata Álvaro Colom ganhou as eleições. Embora o partido deste, ao contrário de El Salvador, não seja o herdeiro da guerrilha, foi o candidato que enfrentava no segundo turno a opção mais neoliberal e refletia as aspirações da esquerda que tomara em armas.

A  influência progressista é tamanha que até o liberal presidente de Honduras, Manuel Zelaya, assinou a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), promovida pela Venezuela e Cuba, e firmou com Hugo Chávez o acordo da Petrocaribe, para a cólera da direita local.

Todos estes países normalizaram seus laços com Cuba, com quem não tinham relações diplomáticas há décadas. Claramente, a região que já foi propriedade da United Fruit Company e um campo de treino durante a Guerra Fria para grupos contrarrevolucionários financiados pela CIA, despertaram e dizem adeus ao servilismo para com o Norte.

A  esquerda  recolhe o sentir majoritário

Existem outros elementos para se levar em conta. Erra quem afirma que o avanço da esquerda na região mostra o erro de ter recorrido à violência nos anos 80, em defesa das propostas políticas de esquerda. Naquela altura, o caminho eleitoral estava bloqueado; a luta armada era a única opção para os movimentos populares que exigiam terra e liberdade.

A vitória da FMLN em El Salvador, como a dos Sandinistas na Nicarágua, demonstra que é a esquerda que recolhe o sentir majoritário dos centro-americanos, e que eram a repressão e os massacres que nunca permitiam sua justa representação nas instituições. Foi necessário mais de uma década de paz para a esquerda se recuperar do genocídio que sofreu na região.

O mesmo fenômeno ocorreu no Cone Sul. Ali, à esquerda, mais moderada ou mais radical,  chegou ao poder no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai quando as novas gerações superaram o terror e as baixas em suas fileiras por parte das ditaduras militares.

Também não podemos esquecer outro detalhe de grande importância. Naqueles anos de chumbo na América Central, vários dos seus governos se apresentavam perante a comunidade internacional como regimes democráticos, enquanto os membros da guerrilha eram ''comunistas subversivos'' leia-se ''terroristas'', na terminologia atual.

Um paralelo copm a Colômbia

O paralelismo com a Colômbia é portanto inevitável. Os esquadrões da morte salvadorenhos são os paramilitares colombianos de hoje.

Conforme demonstraram as Comissões da Verdade, o financiamento americano aos criminosos exércitos salvadorenho e guatemalteco, ou aos contra em Honduras, corrrespondem ao Plano Colômbia de agora. Os presidentes democratas-crisãos de El Salvador, liberais de Honduras e republicanos da Guatemala, cúmplices do genocídio de toda uma geração progressista centro-americana, são hoje o Álvaro Uribe que governa a Colômbia.

El Salvador na década de oitenta foi partido em dois campos, cada um dos quais gerindo e administrando os seus próprios territórios. Tal como aconteceu com a guerrilha guatemalteca, no dia em que nos sentamos para estudar as causas do conflito, a reforma agrária e a reintegração de um máximo de armas em segurança, começou no final da violência política. Se a comunidade internacional começa a compreender isso, a paz, da esquerda para a direita de lá, sem ter de matar ou morrer podem ser uma realidade na Colômbia.

* Pascual Serrano é jornalista espanhol, autor de "Meios violentos, Palavras e imagens para o ódio e a guerra";

 

Fonte: http://blogs.publico.es; intertítulos do Vermelho

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publicado por Rojo às 10:08
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