Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

A grande Batalha

Por Luis Bilbao (intelectual argentino, editor de America XXI)

 

Chegou a hora de escolher (para a América Latina, Nota do Editor): alinhar-se com o Norte para empreender a vã empresa de salvar ao capitalismo, ou definir posições e acelerar em direcção à união sul-americana, a complementação solidária das economias da região, a verdadeira soberania e bem-estar social para todos. Essa é a opção ante a qual não há postergação possível. Os Estados Unidos e os seus sócios tentam atrair a países importantes do hemisfério para avançar com a sua estratégia, uma vez mais como neocolonias aferradas às metrópoles. Esse é o significado da reunião do G-20 o 2 de Abril em Londres; essa é a intenção de Washington para a Vª Cimeira das Américas em Trinidad e Tobago, quinze dias depois. Como contrapartida, os países da ALBA reunir-se-ão no 16 de Abril em Caracas, para ratificar uma linha de acção comum frente à crise e frente à resposta do capital imperial. A participação de todos os membros da UNASUL no encontro da ALBA é a última oportunidade para apresentar uma frente unida antes de que se desencadeie em toda a sua potência destructiva a crise global.

Durante o mês de Abril ficará esboçado um novo mapa político planetário. Dia 2 de Abril em Londres e o 17 de Abril em Trinidad e Tobago, a reunião do G-20 e a Vª Cimeira das Américas definirão a estratégia com a qual os Estados Unidos, a União Européia, o Japão e a China, enfrentarão o colapso do ordenamento planetário vigente nas últimas seis décadas. A grande incógnita é que lugar ocupará o conjunto latinoamericano-caribenho na nova correlação de forças.

Nada será definitivo, claro. Porque a única constante neste momento é a ebulição. A transformação molecular das relações de forças à escala mundial decorre debaixo da superfície e a um ritmo diferente do actual desmoronamento do sistema capitalista. De maneira que os acontecimentos visíveis –e sobretudo a sua representação na imprensa comercial– têm escassa correspondência com a realidade. Não obstante, do papel da cada protagonista depende o curso da história iminente, prefigurado pela onda arrasadora de trabalhadores expulsos de seus postos por todo mundo.

Uma febril actividade diplomática do Departamento de Estado estadounidense e inumeráveis encontros a nível presidencial e ministerial nas Américas e Europa, mais encontros públicos e reservados entre os Estados Unidos e a China, permite observar o nervoso movimento das peças no xadrez planetário.

Antes de mais nada, com duas ou três excepções, assombra a talha política das figuras participantes, sua falta de preparação teórica para compreender os acontecimentos em curso, a ausência de equilíbrio emocional e inclusive a plasticidade moral com que sobem ao palco ante uma platea mundial temerosa e expectante.

Mas o foco deve se centrar em outro ponto: a atitude da China em relação com a redefinição do um sistema financeiro mundial, a localização dos três governos latinoamericanos –Brasil, México e Argentina– incrustados no G-20 e a atitude que assumirão os membros de UNASUR (União de Nações Sul-americanas) quando na ilha caribenha de Trinidad e Tobago se encontrem cara a cara com o novo representante do imperialismo, Barack Hussein Obama.

A paciência chinesa

Além de assombro e temor, a crise produz mudanças até há pouco impensáveis. O nervosismo das autoridades chinesas não é o menor deles, se se tem em conta não só a proverbial imperturbabilidade dessa cultura milenária, mas também e sobretudo as causas que o provocam. É sabido que Pequim tem uma soma colossal de reservas investida em títulos do Tesouro estadounidense (diferentes informações os fazem oscilar entre um e dois milhões de milhões de dólares). Somado ao impacto que a queda do comércio mundial provoca na economia chinesa, o risco de em breve se dar a inevitável desvalorização extrema ou directo desaparecimento da moeda estadounidense, cria uma situação paradoxal de dependência mútua e choque frontal entre ambas as economias.

Nas últimas semanas esta situação expressou-se inclusive no terreno militar: “o navio estadounidense USNS Impeccable violou as leis e as regras internacionais e chinesas”, declarou o porta-voz da chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, em alusão a um episódio obscuro no qual, segundo o Pentágono, barcos chineses efectuaram no domingo 8 de Março manobras perigosas perto de um navio não armado da marinha estadounidense em águas internacionais, no Mar da China Meridional. À resposta chinesa contestou Washington com não menos contundência: “vamos continuar enquanto tenhamos que operar em águas internacionais”, declarou Bryan Whitman, um porta-voz do Pentágono.

Não cabe sublinhar de mais este episódio, mas no seio do G-20 o dilema da China em frente ao mundo capitalista altamente desenvolvido passa por outro meridiano: colaborar com a Casa Branca para recompor o sistema financeiro internacional ou criar um subsistema (os vértices hipotéticos seriam Pequim, Moscovo e Teerão) e desde ali projectar-se com outros possíveis subsistemas em um entrelaçamento que opusesse com nitidez as economias subordinadas às imperialistas. Até ao momento, o governo chinês parece enfilar-se para uma alternativa intermédia, ou terceira via: pressionar os Estados Unidos para a criação de uma nova moeda de intercâmbio internacional, que substitua o dólar. Assim o adiantou Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Popular da China: “a introdução de uma divisa supranacional, estável e não vinculada a um país concreto, beneficiaria o sistema financeiro mundial”.

A Rússia tinha esboçado antes essa ideia, sem dar-lhe forma precisa; depois da formulação chinesa, também o Brasil se somou à proposta. Que posição adoptará a UE, sócia na desgraça com Washington, ainda que igualmente interessada em sacar vantagem frente aos Estados Unidos? “São o caminho ao inferno”, declarou o presidente temporário da UE, o checo Mirek Topolanek, referindo-se às medidas tomadas por Obama. A Europa (capitalista) teme, e com bons fundamentos, que uma política de déficite desenfrenado como a que aplica sem maior explicação a Casa Branca dinamite as colunas do euro e faça desaparecer a moeda comum do velho continente. A UE poderia virar o fiel da balança. Mas a sua indecisão corre em paralelo com o temor de um desenlace traumático. A incógnita se revelará antes de que estas páginas estejam em mãos do leitor. Em todo o caso, é presumível a fugacidade dos resultados que se atinjam em Londres: ninguém se pode permitir a empurrar um falhanço clamoroso; e poucos imaginam um saldo final consolidado como o atingido em Bretton Woods em 1945: a hegemonía estadounidense já terminou. E para sempre. Já não pode impor a sua vontade ao resto do mundo. Ainda que ainda possa evitar que a União Européia aplique todos os instrumentos que precisa para se chocar sem rodeios com Washington na disputa pelos mercados mundiais. E, sobretudo, pode manter a capacidade de magnetizar a governos chave no resto do mundo para frear a tendência unificadora com conteúdo antimperialista e, desde ai, lançar-se a minar a consolidação de um mundo multipolar no qual ficaria inserido, com uma enorme potencialidade estratégica, um bloco de definido perfil anticapitalista na América do Sul, a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas).

 

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Fonte: Radio YVKE Mundial

publicado por Rojo às 23:45
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