Domingo, 26 de Abril de 2009

Chávez está brincando com o fogo

Vi recentemente com preocupação as palavras excessivamente optimistas e de regozijo do Presidente Chávez face à postura "simpática" e sorridente do Presidente Obama (ou deveria dizer Imperador?) durante a mal-chamada Vª Cimeira das Américas que decorreu na nação caribenha de Trinidad e Tobago (entre 17 e 19 de Abril de 2009) - digo mal-chamada porque na verdade trata-se de uma organização totalmente controlada pela Casa Branca, com uma declaração redigida em Washington e todo um espectáculo montado pelos "gringos". Estas Cimeiras em particular são uma criação da OEA, Organização de Estados Americanos, uma organização que o camarada Fidel Castro apelidou há décadas de "Ministério das Colónias dos Estados Unidos", e essa afirmação continua a manter toda a validade.

 

Chávez disse durante e depois da Cimeira, e continuou a dizê-lo já na Venezuela, que se tratou de um facto histórico, que os Estados Unidos mudaram de posição, que se tratava de uma das maiores vitórias políticas da Venezuela. Um discurso que me parece muito insensato e do qual Fidel, felizmente, destoou. A verdade é que com Obama pouco mudou e pouco é possível mudar na actual estrutura política dos Estados Unidos. É bom lembrar o assassinato do antigo Presidente Kennedy que nunca foi correctamente esclarecido: nos Estados Unidos quem manda não é o governo mais sim a Oligarquia empresarial e financeira, os Generais e a CIA (um equivalente da PIDE portuguesa só que muito pior). Mesmo que Obama quisesse por um fim ao intervencionismo imperialista dos EUA, ele apenas conseguira ser assassinado.

 

Não haverá mudanças reais e importantes com Obama no carácter Imperialista dos Estados Unidos, apenas se abrandou um pouco a agressividade imperialista. Mas isso não é razão para ser ingénuo e apelidar os EUA de país amigo. Se Chávez não estiver atento à embaixada dos EUA, um novo Golpe de Estado é perfeitamente possível.

 

Bom, pelo menos, Chávez e seus aliados cumpriram a promessa de não assinar a declaração final da Cimeira que era um texto de total vassalagem aos Império dos Estados Unidos e às suas receitas capitalistas ultra-reaccionárias. Nesse aspecto a Cimeira acabou com um ridículo "acto simbólico" em que o anfitrião, o chefe de Estado de Trinidad e Tobago, assinou o documento em nome de supostamente todos, na verdade em nome do seu patrão Obama.

 

Como nota de rodapé poderia também referir a oferta de Chávez a Obama do livro as "Veias Abertas da América Latina" do escritor uruguaio Eduardo Galeano (que pode ser descarregado livremente aqui, em formato pdf), uma belíssima obra prima anti-imperialista. O livro mostrou mais uma vez o enorme prestígio de Chávez nos Estados Unidos, ao fazer disparar as vendas daquele livro no país do Império gringo

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Fonte: Radio YVKE Mundial

publicado por Rojo às 00:58
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6 comentários:
De mugabe a 26 de Abril de 2009 às 22:37
Luis, espero e desejo que o que se passou seja apenas um bluff de Chavez....ele de parvo não tem nada e está consciente do que são capazes os imperialistas USA. Concordo com o que dizes e com as tuas preocupações.

Abraço!
De Paulo Mouta a 27 de Abril de 2009 às 00:13
Concordo plenamente e partilho as preocupações com um possível discurso facilitista . Mas penso que este foi mais um discurso para dentro da Venezuela. Será importante dar um sinal de vitória onde ela de facto não existiu? Será um bom passo baixar a guarda quando o inimigo é o mesmo mas quando se disfarça de algo que não é de facto?
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Concordo plenamente e partilho as preocupações com um possível discurso facilitista . Mas penso que este foi mais um discurso para dentro da Venezuela. Será importante dar um sinal de vitória onde ela de facto não existiu? Será um bom passo baixar a guarda quando o inimigo é o mesmo mas quando se disfarça de algo que não é de facto? <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Acredto</A> que Chávez está ciente do que está a enfrentar. Espero que seja estratégia e não ilusão.
De Rojo a 28 de Abril de 2009 às 01:07
Eu acho que o problema é que Chávez é por vezes mal aconselhado. Há um sector dos dirigentes do partido de Chávez que entende que a Revolução Venezuelana deve ficar por aqui e não se aprofundar mais, são os reformistas.

Para aqueles que apenas querem um Capitalismo de fachada social, um baixar a guarda ao Imperialismo ajuda a travar o ritmo da Revolução. É a quinta coluna da Revolução e há que combate-la para efectivamente seguir o caminho do Socialismo.
De Paulo Mouta a 28 de Abril de 2009 às 02:29
Poderá ser um mau aconselhamento mas também é possível que seja uma cautela normal de quem conhece o destino certo de quem se opõe à hegemonia dos EUA. Estamos num ponto de viragem importante e um passo em falso poderá deitar tudo a perder. Penso que Chávez não é ingénuo a esse ponto.

Na minha opinião até agora eles estão a dar os passos certos e estão a tomar a posição correcta na política internacional com as alianças estratégicas nomeadamente com a Rússia e o Irão. Discutível? Será certamente, mas a realidade é que têm surgido alguns efeitos positivos destas alianças. A construção de um pensamento libertador um pouco por toda a América latina tem tido também como epicentro Chávez e o seu processo (r)evolucionário. Um radicalizar das posições poderia significar uma chamada por parte dos ainda “patrões” da Venezuela à intervenção indirecta ou mesmo directa dos vizinhos do norte.

Não querendo parecer demasiado ingénuo, acredito que Chávez está no caminho correcto e que o processo de construção de uma sociedade de um novo tipo poderá estar precisamente a nascer de uma fusão entre a evolução positiva para um socialismo de um novo tipo e finalmente construído de baixo para cima em vez de partir das elites intelectuais que tanto mal fizeram aos ideais socialistas desde Marx até nossos dias e do exemplo revolucionário já maduro do ponto de vista humanista e educacional mas muito debilitado economicamente de Cuba. À luz desse mesmo pensamento devemos entender as terríveis contradições, por exemplo, do regime brasileiro conduzido por Lula. Por um lado tem prestado a Cuba um precioso auxílio, sem que o seja pois se tratam de negócios e parcerias inteiramente legítimas e benéficas para ambas as partes. Mas por outro lado está sempre encostado nos interesses norte americanos. Cuba tem já assegurada a quase totalidade da sua necessidade energética com os acordos celebrados entre a Cubapet e a Petrobras, e entre aquela e a PDVSA. Se a revolução cubana trouxe ao mundo um novo modo de entender a humanidade com projectos como o “yo si puedo” que já quase erradicou o analfabetismo da América latina, ou como o “barrio adentro” que levou médicos às favelas de Caracas onde ninguém entrava é bem possível que comece aí o que nunca foi possível construir nas experiências socialistas passadas. Será possível um “homem novo”, realmente? Imaginamos nós, na nossa Europa missões de solidariedade como representam estes projectos cubanos? E conseguimos perceber que é um país economicamente debilitado por um bloqueio arrasador e por opções económicas que tiveram de se manter para protecção da própria soberania e da revolução que fornece aquilo que nenhum país rico é capaz de fornecer?

Talvez seja essa ingenuidade mas penso que Chávez entende que não se pode construir o Socialismo sem que o povo esteja envolvido ele mesmo no processo dinâmico e vivo do nascimento, do crescimento. Daí que não me pareça que ele caia facilmente na conversa mansa do Obama e companhia. Aliás, Obama não deve mesmo enganar ninguém que saiba interpretar as suas escolhas. Esse sim fez-se rodear de conselheiros pouco recomendáveis e ainda tem a lata de divulgar que consulta o abjecto criminoso Henry Kissinger.
De JM a 28 de Abril de 2009 às 03:35
Excelente o comentário do Paulo Mouta, subscrevo-o a 100%, e não se preocupem, que Chávez não cai na conversa do "bom samaritano" Obama, eu já li um artigo num site de notícias venezuelano (agora não me recordo da ligação), em que Chávez já depois da Conferência das Américas, dizia qualquer coisa como, para ninguém se esquecer que o império está vivo e bem vivo.
saudações a todos os camaradas.
De Rojo a 29 de Abril de 2009 às 17:26
Paulo Mouta e JM,

Pode ser que tenham razão e eu espero que tenham razão. Agora que o problema do reformismo existe e é um problema muito sério não tenho dúvidas. E por vezes esse reformismo (que é a negação do socialismo) está ligado a uma aposta excessiva da Venezuela em parcerias internacionais com países marcadamente capitalistas.

Exemplo: recentemente a Venezuela assinou acordos na área petrolífera e industrial com o Japão, o Japão só assinou os acordos quando a fábrica de automóveis da Mitsubishi da Venezuela conseguiu - com pressão governamental - desmobilizar os trabalhadores de uma greve de mais de um mês.

Quanto às campanhas cubanas de alfabetização e saúde, sem dúvida que servem de modelo socialista e humanitário para todos os povos.

Obrigado pelos vossos comentários.

Um abraço,
Luís Rocha

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