Domingo, 10 de Maio de 2009

Paraguai: volta de ministro da ditadura reabre feridas

5 de Maio de 2009

 

O golpe militar no Paraguai completou 55 anos na segunda-feira (04) e sua trágica memória não poderia estar mais viva.  O retorno ao país de Sabino Augusto Montanaro, ministro do Interior da ditadura de Alfredo Stroessner, reabriu feridas, provocou reações e desencadeou uma série de mobilizações em defesa de justiça nos crimes cometidos pelo Estado.

Refugiado em Honduras há 20 anos, Montanaro chegou ao Paraguai na madrugada da última sexta (01). Depois das manifestações pelo Dia do Trabalhador, um grupo de militantes de partidos de esquerda e ativistas de direitos humanos se dirigiu ao Sanatório Adventista, onde Montanaro estava internado sob custódia policial.

Houve conflito com a Polícia Nacional, no momento em que o ex-ministro era transferido para um hospital policial. Desde sábado à noite, ativistas fazem vigília em frente à instituição.

Considerado uma das figuras públicas do regime de Stroessner, Montanaro era o responsável pelas ordens de tortura e execução e também teria tido envolvimento com a Operação Condor.

“Ele decidia sobre a vida e a morte das pessoas. Perseguia abertamente os que pensavam diferentes”, afirma Guillermina Kanonifof, viúva de Mário Schaerer Prono, assassinado pelo regime aos 23 anos. Ela conta que em duas ocasiões falou com o então ministro Montanaro. “Numa dessas vezes, ele disse que mataram meu marido porque ele constituía um perigo para a paz da república”, conta.

Nesta segunda, Guillermina reabriu seu caso na justiça. Vítimas da ditadura, familiares de desaparecidos e ativistas dos direitos humanos acertaram reabrir demandas judiciais contra o ex-ministro e esperam que outros casos apareçam agora que ele se encontra no país. O desejo é de que Montanaro possa dizer onde estariam enterrados os desaparecidos da ditadura militar.

“Espero que este senhor esteja em condições de dizer onde estão nossos desaparecidos”, afirmou Rolando Goiburu, filho de Agustín Goiburu, médico e dirigente político desaparecido em 1997 no marco da Operação Condor.

Apesar da idade avançada do repressor, a expectativa é que ele seja condenado por crimes de lesa-humanidade, sendo levado a Tacumbú, prisão comum de Asunción. “Este não é um caso qualquer. É um caso paradigmático”, afirma o advogado Martin Almada, ativista dos direitos humanos.

A incerteza diz respeito ao estado de saúde de Montanaro. Aos 86 anos, ele sofre complicações da velhice. Familiares das vítimas acreditam que ele esteja sendo sedado para que seja declarado em estado de demência e não precise prestar esclarecimentos à justiça.

Uma enfermeira particular, de Honduras, estaria cuidando de Montanaro. Rolando Goiburu esteve no quarto onde está internado e diz que o ex-ministro estava lúcido, porém dava sinais de que havia sido sedado.

No sábado, o presidente paraguaio Fernando Lugo recebeu vítimas da ditadura e familiares para anunciar a constituição de uma comissão para recuperar bens mal-havidos por integrantes da ditadura militar.

“Quem haveria de pensar que poderíamos estar reunidos nesta casa”, afirmou um emocionado Lugo, durante mensagem lida no ato, que aconteceu na residência oficial da Presidência da República, ocupada durante 35 anos pelo ditador Alfredo Stroessner.

Segundo ele, a comissão coordenará a sistematização de investigações para a recuperação de bens pertencentes ao Estado.“Montanaro foi uma figura central no processo de aniquilamento da democracia, e seu nome está ligado a investigações sobre horrorosos atentados contra direitos humanos, e ilícitos de diversas categorias”, disse Lugo, que prometeu não dispensar tratamento especial a Montanaro e pediu atuação da Justiça no caso.

Lugo chorou durante a leitura da mensagem, quando informou que a Escola Nacional de Santa Rosa, no departamento de Misiones, voltará a ter o nome de Silvano Ortellado Flores, assassinado pela ditadura no pátio desta escola, em 1976. Depois, emocionou-se novamente ao escutar depoimentos e pedidos de familiares e vítimas da ditadura.

Os presentes ao encontro avaliaram como positiva a reação da presidência, porém acreditam que somente a recuperação de bens mal-havidos não esgota as demandas contra Montanaro, que deve ser julgado por crimes de lesa-humanidade.

Fonte: Brasil de Fato/Diário Vermelho

 

Ver também: Estado uruguaio quer reconhecer crimes da Ditadura Militar Fascista (1973-1985)

publicado por Rojo às 10:36
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