Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Sindicatos iniciaram protesto de três dias na Europa

14 de Maio de 2009

Cerca de 50 mil sindicalistas da Espanha, Portugal, França, Itália, Bélgica, Turquia e Andorra tomaram parte nesta quinta-feira (14) da Euro Manifestação de Madri, uma iniciativa da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) contra a crise e pelo emprego.

De Portugal, as duas centrais do país (CGTP-IN e UGT) convocaram 1900 sindicalistas para desfilarem pelas ruas madrilenhas. ''Fomos os primeiros a fazer manifestações conjuntas em Portugal no ano 2000, foi no Porto com 80 mil pessoas'', lembrou à mídia portuguesa Manuel Carvalho da Silva, da Central Geral dos Trabalhadores de Portugal (CGTP).

A seu lado, no Passeo de la Castellana, à porta do café Gijón, local de concentração da participação sindical portuguesa na euro manifestação da CES, estava João Proença, da União Geral de Trabalhadores (UGT). ''A crise da globalização é a crise dos que defendiam menos Estado, não estamos perante uma crise de competitividade salarial mas face à crise do capitalismo sem regras'', observa Proença. Por isso, o dirigente da UGT considera ser ''fundamental reforçar a dimensão europeia da luta dos sindicatos''.

''Estamos perante uma crise grave do sistema que, prolongando-se, se pode transformar numa crise da civilização'', adverte Carvalho da Silva. ''A crise econômica, financeira e de regulamentação está longe de estar resolvida, e falta ver os efeitos que vão ter as crises energética, de valores, e a ruptura com a natureza'', prossegue.

Feito o diagnóstico, há outra certeza: ''enquanto a proposta for de precaridade, desemprego, baixos salários e menos direitos não há saída para a crise'', sustenta o líder da CGTP.

''Pelo emprego'', lia-se em letras brancas sobre fundo vermelho, em um dos cartazes das Comissões Operárias da Espanha. A cor que domina a emblemática Castellana é o vermelho, com os cartazes da UGT espanhola, da Force Ouvriére, CFDT e CGT francesas, dos italianos da CGIL e da CISL a desfilarem ao som do rufar de tambores e dos apitos.

Entre as bandeiras dos países representados na primeira das quatro euro manifestações convocadas pela CES, a presença de algumas insígnias da antiga República espanhola.

Momentos antes do desfile, também em Madrid, José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, considerou numa conferência que os sindicatos têm um dilema. ''Optar por uma cultura de confronto ou de negociação'', sublinhou.

''Os sindicatos a nível europeu optam pela negociação'', responde João Proença. ''Infelizmente, a Comissão Europeia tem fracassado em estabelecer o diálogo social, pretendeu organizar uma grande cúpula de emprego que, afinal, se transformou numa simples troika'', lamentou o dirigente da UGT de Portugal.

Atividades continentais

Diversas atividades planejadas por sindicatos de todo o continente europeu acontecem entre esta quinta-feira (14/05) até o próximo sábado (16/05). Na última quarta-feira (13/05), milhares de pessoas já haviam protestado em Viena contra a morosidade das negociações salariais por parte dos empresários.

Devido à crise econômica e financeira, várias empresas austríacas anunciaram reduções de salários para seus funcionários. Segundo informações dos sindicatos que organizaram a manifestação em Viena, cerca de 25 mil pessoas participaram dos protestos.

Nesta quinta-feira, uma greve do serviço público na Grécia paralisou escolas, hospitais e o trânsito aéreo do país. Com a greve de 24 horas, os sindicatos dos prestadores de serviço querem apoiar os trabalhadores do país em suas exigências de aumento salarial e de adicionais para o seguro de saúde.

Ilda Figueiredo em Madri

A participação da candidata da CDU (Coligação do Partido Comunista Português com o Partido ''Os Verdes'') ao Parlamento Europeu Ilda Figueiredo, na manifestação em Madri, ''insere-se num quadro em que a CDU sempre demonstrou estar com luta dos trabalhadores e contra as políticas que em Portugal e na União Europeia agravam a exploração dos trabalhadores e favorecem os lucros do grande capital'', segundo expressou em nota a coligação.

''Esta manifestação, que contou com a solidariedade dos eleitos da CDU, confirmou a determinação e a confiança dos trabalhadores na luta por uma vida melhor'' aponta a nota no site da coligação.

Engajamento dos sindicatos europeus

Na Alemanha, nesta sexta-feira (15), creches e jardins-de-infância não abrirão. Além disso, o sindicato alemão do setor de serviços (Verdi) e o Sindicato da Educação e Ciência (GEW) aprovaram com grande maioria a paralisação das atividades por tempo indeterminado em creches e jardins-de-infância municipais.

Segundo o Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha, existem no país cerca de 50 mil creches e jardins-de-infância. Desses, somente cerca de 17 mil pertencem às prefeituras, informou o departamento.

Com a greve, os sindicatos Verdi e GEW pedem melhores condições trabalhistas em termos de proteção à saúde para os 220 mil educadores e assistentes sociais subordinados às administrações municipais na Alemanha.

Trabalhadores temporários são os mais afetados

No entanto, atrás das belas palavras proferidas pelos patrões na fracassada Cúpula do Emprego, esconde-se um conflito concreto de interesses, afirma Reiner Hoffmann, vice-secretário-geral da Confederação dos Sindicatos Europeus (EGB). Como exemplo, ele cita a fórmula conhecida como ''flexicurity'' (''flexicuridade''), cunhada pela Comissão Europeia a partir das palavras inglesas ''flexibility'' (flexibilidade) e ''security'' (segurança).

O novo conceito prega a flexibilização dos direitos dos  trabalhadores, que em compensação receberia a ''segurança'' de emprego. Hoffmann afirma que, a princípio, os sindicatos não se posicionam contra a fórmula da Comissão Europeia.

O único problema é, segundo ele, que nos últimos anos a flexibilização dos direitos aumentou consideravelmente, através da desregulamentação consciente dos mercados de trabalho e, em parte, através do afrouxamento da proteção trabalhista contra demissões.

Ou seja, a segurança no emprego diminuiu consideravelmente, reflete o sindicalista: ''Temos um exército de pessoas com contratos de trabalho temporários, trabalhadores terceirizados, que justamente na crise são os primeiros a serem atingidos'', explica Hoffmann.

Na França e em outros países, aconteceram recentemente ataques contra presidentes de empresas. Trabalhadores tomaram empresários como reféns ou demoliram seus automóveis. Reiner Hoffmann acredita que não há radicalidade nisso. E ele também não coloca o sistema em questão. ''Eu duvidaria, a princípio, que haja algo além do capitalismo''.

Ao se perguntar se há sinais de um renascimento da economia social de mercado, o próprio sindicalista responde: ''Precisamos de novas regras do jogo que, finalmente, fortaleçam novamente o aspecto social na economia de mercado e não priorizem o lucro rápido''.

Fonte: Diário Vermelho

publicado por Rojo às 21:30
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1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 20 de Maio de 2009 às 15:06
A Globalização, tal como foi concebida, vai determinar o fim da Europa social que conhecemos, mas ajudará ao nascimento de uma nova Superpotência: a China.
O Ocidente caiu na armadilha da Globalização que interessava às grandes Companhias que pretendem aproveitar-se dos baixos custos de produção do extremo oriente, dado os baixos salários e a inexistência de obrigações sociais que trariam maiores lucros a essas companhias multinacionais. Mas como esses países têm um baixo poder de compra e a produção no oriente destina-se sobretudo à exportação para o ocidente e se o ocidente não tiver poder de compra, as Companhias não vendem e acabam por ser vítimas também da situação criada.
Ao aderiram ao desafio da "globalização selvagem", os países da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como). Não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: criar regras laborais, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados do ocidente, não! o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem essas condições, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” da qual o ocidente não poderá ganhar e a única solução será a de nivelar as condições sociais ocidentais pelas dos países do oriente e é a isso que estamos a assistir neste momento. Todos sabem que o custo da mão de obra tem um valor insignificante no preço do produto produzido no oriente. Acresce que esses países nem sequer estão comprometidos com a defesa do ambiente e as suas tecnologias são mais baratas mas altamente poluentes. Assim, o ocidente e a UE ditou a sua própria “sentença de morte”. Será que os trabalhadores dos países da UE, depois do nível social atingido, vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! , enquanto algumas empresas fecham portas para sempre e outras se deslocarem para a China ou para a Índia, o ocidente irá caminhar num lento definhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violento irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põe à beira do fim dos tempos como o descrito nos escritos bíblicos. A época áurea Europa será coisa do passado, encher-se-á de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque e a Europa deverá voltar a uma nova “Idade Média”. Haverá uns quantos (poucos) muito ricos, protegidos por alta segurança, habitando em novas fortalezas e que se deslocam rodeados de seguranças armados, dispostos a tudo, a matar e a dar a vida pelo seu "senhor"; Haverá a restante população, uma enorme mole de gente lutando pela sobrevivência a todo o custo, disposta a matar e a roubar o seu melhor amigo. Os amigos serão os companheiros do "gang" ou bando a que se pertence e mesmo esses poderão tornar-se falsos um dia.

Zé da Burra o Alentejano

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