Sábado, 13 de Junho de 2009

Rep. Dominicana - Francisco Caamaño Deñó (1932-1973)

Francisco Alberto Caamaño Deñó

Nasceu a 11 de junho de 1932 em Santo Domingo. Filho do tenente-general Fausto Caamaño Medina, que chegou a ser Secretário de Guerra e Marinha durante a tirania de Trujillo, e de dona Enerolisa Deñó de Caamaño.

Francis Caamaño iniciou sua carreira militar na Marinha de Guerra e depois continuou no Exército Nacional e na Força Aérea. Foi também da Polícia Nacional, ascendendo até a patente de Coronel. Efetuou cursos de treinamento, nos Estados Unidos em 1954; no Panamá e em seu país, entre 1954 e 1960. Foi transferido à Polícia Nacional em 1960, na patente de major, sendo designado chefe de adestramento e comandante de efetivos contra motins em 1962. Nessa posição, comandou a ação de Palma Sola, onde foi ferido. Em 1964, como tenente-coronel, ocupou o comando da Rádio-Patrulha. Nesse mesmo ano, uniu-se ao grupo conspirativo dirigido pelo coronel Fernández Domínguez, que tinha como objetivo a derrocada do regime de fato de Reid Cabral e o retorno à ordem constitucional desaparecida em setembro de 1963, quando foi derrubado o governo de Juan Bosch.

Ao explodir a revolta de 25 de abril de 1965, Caamaño ocupou uma posição de importância e, três dias depois, era o líder indiscutível da Guerra de Abril. Em 3 de maio, foi designado Presidente da República pelo Congresso. O conflito político e militar culminou em 3 de setembro de 1965, com a assinatura da Ata de Reconciliação e, depois de vários atentados (entre outros, o brutal ataque que sofreu quando se encontrava em Santiago, no Hotel Matún, em 19 de dezembro desse ano, junto com vários companheiros), aceitou, em 1966, sair do país como agregado militar em Londres, Inglaterra.

Para entender a mudança operada neste militar de carreira, que se colocou ao lado do povo e terminou entregando sua vida nos altares da Pátria, faremos um breve relato histórico da República Dominicana sem Trujillo. A eleição do professor Juan Bosch à liderança do Partido Revolucionário Dominicano, sua derrubada sete meses depois, as lutas para devolver o país à ordem democrática e a luta armada contra os militares golpistas do Triunvirato. A invasão ianque e a guerra de abril. Caamaño como revolucionário: (comandante Román) sua idéia de formar uma Frente Patriótica.
Sua estadia em Cuba, onde iniciou treinamento guerrilheiro, com a idéia de ingressar em território dominicano para começar uma nova guerra de liberação nacional. Finalmente, o desembarque, em 1973, na Praia dos Caracóis à frente de 9 homens. Sua morte física dias depois, junto com Heberto G. La Iane e Alfredo Pérez Vargas, em Nizaíto, San José de Ocoa, após ser capturado com vida, em 16 de fevereiro de 1973, aos 41 anos de idade.

A era pós-trujillista é, sem dúvida, a da continuidade. As energias do povo dominicano são orientadas para uma campanha eleitoral que culmina em dezembro de 62. Os candidatos do Partido Revolucionário Dominicano (PRD) conquistam a presidência e a maioria das Câmaras legislativas. As medidas populares, deste governo encabeçado pelo professor Juan Bosch, provocaram a ira das elites trujillistas; sete meses depois, o governo é derrubado e substituído por um triunvirato de civis manipulados pelos militares golpistas. O Movimento 14 de Junho aglutina a ala mais avançada de dominicanos e dominicanas e assume o compromisso de enfrentar o inimigo. Guerrilha, greves de operários e estudantes são uma espécie de ensaio desse esforço popular pelo retorno à constitucionalidade, ou seja, o gesto heróico de 24 de abril de 1965.

O papel mais glorioso e decisivo naquela jornada revolucionária foi desempenhado por um dos grandes filhos da pátria dominicana: o coronel Francisco Caamaño. Ele passou por cima de seu passado e de seu extrato social para se colocar na liderança das forças populares até levá-las a escrever uma das páginas mais brilhantes da história nacional.

A esmagadora derrota do aparato militar tradicional foi o sinal esperado pelos governantes norte-americanos para ordenarem a terceira invasão militar contra o território dominicano no século passado. A jornada revolucionária de 65 é freada por esta invasão que impede a realização do retorno à constitucionalidade. Contudo, o que ela não pôde evitar foi que o povo tomasse consciência de quem eram seus verdadeiros inimigos e, assim, alcançasse uma maturidade política muito alta. Ficou evidente quem eram os aliados e os adversários da emancipação dominicana.

Caamaño, ao concluir esta jornada, compreendeu o papel histórico que lhe correspondia e inicia sua capacitação política. Viu um exemplo luminoso na Revolução Cubana e, estudando o materialismo dialético, empreende a tarefa de continuar o que o povo, em meio aos combates da ponte Duarte e enfrentando o estrangeiro invasor, havia já começado, ou seja, a segunda e definitiva libertação do povo dominicano.

Caamaño tenciona criar, a partir do exterior, uma Frente Patriótica que aglutinasse todos os setores e forças políticas presentes na Jornada de Abril. Vão empenho, pois lhe faltou experiência no terreno puramente político e, por sua extrema honestidade pessoal, compreendeu logo que nem todos os dirigentes políticos dominicanos tinham pelo povo o mesmo interesse que suas palavras refletiam.

Entre o assédio da CIA e o dos pseudodirigentes políticos que queriam protelar, de maneira indefinida, as ações por trás da liberação, posto que não queriam alterar suas respectivas cômodas e seguras posições, Caamaño persiste em criar a Frente Patriótica com o Partido Revolucionário Dominicano, o Movimento Revolucionário 14 de Junho, o Partido Comunista Dominicano e o Movimento Popular Dominicano. Contudo, o PRD e seu grupo dirigente – de posição liberal e anticomunista, democrática, mas burguesa – não está disposto a empreender uma revolução nacional libertadora porque, seguramente, esta levaria em seus costados o germe do socialismo.

Os outros partidos de esquerda debatem nesses momentos as estéreis posições, pró-China e pró-URSS, deixando em segundo plano a prioridade da libertação nacional.

Caamaño trata de organizar uma força militar, que libertasse a nação dominicana do governo do Dr. Joaquín Balaguer e dos grupos paramilitares que exerceram o terror contra a população dominicana: não havia outra alternativa a não ser a luta armada; deixar-se matar ou defender-se; vender-se ao inimigo ou lutar; humilhar-se ou ser digno.

Foi o setor mais avançado do Movimento Revolucionário 14 de Junho, liderado por Amaury Germán, que apoiou os planos de Caamaño de atacar a ditadura de Balaguer. Os rebeldes, para evitarem a repressão, saem do país para receberem treinamento no exterior. Isto provoca certo isolamento e a ruptura definitiva das comunicações. Em 1971, em 12 de janeiro, Amaury Germán morre em combate. Sua morte é um rude golpe em todo o movimento revolucionário dominicano e, assim, desarticula-se a organização, a deserção é massiva e as qualidades de Amaury, como organizador, fazem cruelmente falta.

Frente à investida dos ianques e à complacência do governo de Balaguer em fortalecer as posições ianques, ao mesmo tempo em que debilitava o movimento revolucionário, Caamaño visualiza que o momento é decisivo: em 1972, já estava vigente a doutrina Nixon. Ante a falta de um movimento articulado e capaz de enfrentar o inimigo, Caamaño decide criar um feito militar com a guerrilha para, assim, suscitar a luta popular generalizada dentro do país.

Assim se origina o que nosso povo passou a chamar de “Praia dos Caracóis”. Tentativa de guerrilha que fracassou em poucos dias e culminou com o assassinato da maioria de seus integrantes. Seus antecedentes estão nas greves açucareiras de 1946, nas manifestações do Partido Socialista Popular e da Juventude Democrática, passando por Cayo Confitea, Luperón e Constanza e renovando-se em Manaclas, Abril e o 12 de Janeiro. Nutrido pelo exemplo daqueles heróis e mártires que, apesar dos reveses momentâneos, sempre souberam convertê-los em vitórias do povo, pelas inquietudes que despertaram e as consciências que formaram.

De Hamlet Hermann
http://www.27febrero.com/intervencion.htm

Síntese de seu pensamento:

─ Patriota, anti-imperialista e defensor da união da América Latina e do Caribe. Enquanto sua ação revolucionária avança, adota as bandeiras do socialismo.

─ Viu um exemplo na Revolução Cubana e estudou o materialismo dialético para aplicá-lo à necessidade de seu povo.

─ Acreditou na necessidade de integração entre exército e povo armado, para a defesa da nação.

─ Defendeu a necessidade de união entre os partidos de esquerda, numa frente comum e aglutinadora de forças. Lutou por uma Frente Patriótica.



Citações importantes:

Sobre a intervenção ianque na República Dominicana:

“Do México à Argentina, a democracia é o sonho de milhões de homens que a querem como realidade. Sonho de paz criadora, de paz e liberdade decorosa. Porém, esse belo sonho é turvado, até converter-se em pesadelo, devido à cobiça e à exploração por minorias alheias ao nobre ideal da convivência humana.”

“Vislumbrava-se já a vitória das armas democráticas e, quando estávamos a ponto de consegui-la plenamente, os Estados Unidos da América, se interpõem, invadindo-nos, para salvaguardarem os piores interesses e ambições. Foi, então, que tivemos que ceder em alguns dos nossos objetivos, porque não podíamos vencer com as armas. Contudo, apesar de toda a força e de toda a violência do poderio militar norte-americano, não cedemos por temor ou por medo de sermos vencidos. O mundo é testemunha da luta que empreendemos, da coragem e da valentia desse povo, no terreno da honra e no campo de batalha.”

Sobre o governo popular:

“Mas nossa vitória não será para o prazeroso desfrute de seus louros e de suas palmas, senão para reempreendermos outra luta mais forte e mais cheia de agonias: a luta pela reestruturação da República; de uma República de irmãos e de trabalhadores na qual imperem a justiça social e o espírito cristão.”

Sobre a consciência popular:

“… o que mais profundamente calou em minha vida, e deixou sua marca para sempre, é ter chegado a ser mais um filho de nossa Pátria e o enorme privilégio de importunar a classe à qual pertenci e que a explorava, para abraçar-me às massas e ser mais um homem de nosso povo.”

Sobre os inimigos do povo e a Revolução:

“Os inimigos do povo, aqueles que colocam seus próprios interesses acima dos interesses da Pátria, num vão empenho de se manterem no poder, faziam correr, o sangue generoso, como se fossem rios. Porém, sobre nossos mortos, levantamo-nos sempre com maior força. A Revolução avançava triunfante. A América inteira olhava com admiração para esta terra, esperando, ansiosa, nosso triunfo, porque nele ela via uma vitória da democracia sobre as minorias opressoras que assolam, como pragas, todo o Continente Americano.”

Transcendência histórica:

Caamaño ensinou que a luta conseqüente contra o imperialismo conduz necessariamente à adoção das idéias socialistas, sendo inevitável, para alcançar o objetivo, a unidade do povo e das Forças Armadas. Desgraçadamente, a desunião das forças populares dominicanas malogrou seu empenho. O exemplo de Caamaño, ao resistir à invasão norte-americana, ficou gravado na consciência dos povos como gesto heróico de patriotismo e entrega.

(Pela equipe Emancipação, de várias fontes)

 

Fonte: Comité Bolivariano de São Paulo (Brasil)

publicado por Rojo às 13:13
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