Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Venezuela: 5 Empresas sidero-metalúrgicas e Cerâmicas Carabobo são estatizadas

Por Hermann Albrecht (CMR Venezuela)

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Chávez: ‘Estas empresas têm que estar sob controle operário! Sinto-me feliz, porque vejo, sinto o rugido da classe trabalhadora. Quando ruge a classe trabalhadora a burguesia treme.’

Na quinta-feira, 21 de Maio, em um encontro com os trabalhadores das empresas do setor primário de Guayana, o presidente Chávez vez o anúncio da nacionalização das empresas metalúrgicas: Orinoco Iron; Venezolana de Prerreducidos del Caroní (VENPRECAR); Materiales Siderúrgicos (MATESI); Complexo Siderúrgico de Guayana (COMSIGUA); e também a Tubos de Aço da Venezuela (TAVSA) e a Cerâmicas Carabobo.

E anunciou a homologação da Convenção Coletiva de CVG FERROMINERA e falou da criação de um complexo industrial sidero-metalúrgico. Assinalou que “Estas empresas têm que estar sob controle operário; assim tem que ser”. “Comece de uma vez por todas o processo de nacionalização para poder ser criado este complexo industrial”, afirmou Chávez, que disse que esta medida deveria ter sido tomada há muito tempo.
O Encontro “Transformação Socialista”

O encontro, chamado “Transformação Socialista”, realizado nas instalações da CVG FERROMINERA, em Puerto Ordaz, no estado Bolívar, contou com a presença de cerca de 400 trabalhadores, 200 do setor de alumínio e outros tantos do setor de ferro e aço. Pelo Governo, além do Presidente Chávez, participaram os ministros Jorge Giordani, Rodolfo Sanz, Rafael Ramírez, Alí Rodríguez Araque, entre outros, assim como o Governador Francisco Rangel Gómez.

Segundo informações da agência de notícias ABN, durante o desenrolar do encontro, foram realizadas 40 mesas de trabalho, lideradas por representantes eleitos da Frente Socialista de Trabalhadores, que coordenaram eixos de ação. Assim mesmo, os principais representantes expuseram um compêndio de recomendações, sugestões e soluções que nasceram da luta pelas reivindicações da classe trabalhadora, onde ficou evidente a profunda consciência transformadora desta classe que durante anos esteve oprimida, manifestou a Ministra do Poder Popular para o Trabalho, Maria Cristina Iglesias. Sobre isto, o próprio presidente Chávez comentou que “É muito importante o que está acontecendo aqui hoje, pois se trata de uma demonstração da consciência, sobre a necessidade da união através do debate”.

No discurso de encerramento do encontro, o presidente Chávez fez importantes anúncios que arrancaram entusiasmados aplausos dos presentes, o mesmo aconteceu quando anunciou a homologação do contrato coletivo da CVG FERROMINERA, assim como a redução dos salários da cúpula gerencial em cerca de 10 a 20%. “Bom, há que saudar, pois este é um êxito de todos! Mas especialmente de vocês, do Sindicato e de todos os trabalhadores”, afirmou Chávez.

Falou da necessidade de continuar aprofundando a formação política dos trabalhadores, que agora “cada fábrica (seja) uma escola, como disse Che, para produzir não só cimento, aço ou alumínio, mas para produzir o homem e a mulher novos, a sociedade nova, a sociedade socialista”. Da mesma forma comentou a idéia de continuar com as escolas de formação ideológica, iniciativa tomada já na CVG ALCASA quando do processo de co-gestão sob a presidência de Carlos Lanz: “Para mim é muito importante que rapidamente se inaugure a Escola dos Trabalhadores aqui, em Guayana, uma Escola de Formação dos Trabalhadores. Que comece a analisar a fundo, distintos assuntos, sobre o Socialismo e sobre o Mundo. Sobre política, cultura, sociedade e economia”.
Desenvolvimento produtivo, Socialismo e a Classe Trabalhadora

Durante as mesas de trabalho foi expressa a necessidade de desenvolver as empresas de transformação das matérias primas extraídas em Guayana, de maneira coordenada. O presidente juntou-se à demanda dos trabalhadores e trabalhadoras dizendo que “[sobre] o desenvolvimento tecnológico da Venezuela, a idéia era criar um Pólo de Desenvolvimento em Guayana, um Complexo Industrial Integral Coletivo. Um grande complexo Industrial com tecnologia de ponta. Desenvolver de maneira coordenada as indústrias básicas. (...) Até quando importaremos coisas que podemos nós mesmos produzir aqui? Como os processos de beneficiamento do Alumínio (...); a fábrica de coque; formas mais avançadas de refino de petróleo; a fábrica de coque metalúrgico; a fábrica de Metal. Temos que fazer isso (...). Assim peço que os projetos me sejam entregues, os trabalhadores têm entregado, têm apresentado. Para implementar já os projetos. Com substância. Começar a buscar os recursos, e não podemos perder nem um dia a mais.”

Chávez ressaltou que “a única maneira de transformar a Venezuela em uma potência, é construindo o Socialismo venezuelano! Não há outra maneira, é o Socialismo bolivariano, a classe trabalhadora tem que desempenhar um papel primordial aí! Preponderante!” E neste sentido, destacando a influência das propostas dos próprios trabalhadores e trabalhadoras teriam anunciado que “nutrindo-se da experiência dos trabalhadores, nutrindo-nos com os alinhamentos que nascem, nutrindo-se com os alinhamentos que nascem no seio da classe trabalhadora, façamos deste Plano um só Grande Complexo Industrial Integrado, Coletivo. Que se nacionalize o setor metalúrgico agora! Não há nada a ser discutido! Faz tempo que estamos nisso e faz tempo que deveríamos ter feito! (...) Que comece de uma vez o processo de nacionalização para poder criar este Complexo Industrial!”

Estas medidas foram recebidas com entusiasmo e ao coro de "¡Así! ¡Así! ¡Así es que se gobierna!”. Os semblantes dos trabalhadores e dirigentes sindicais era de surpresa e de júbilo, alguns dos ministros também pareciam surpresos.
A necessidade do Controle Operário

Assim como a necessidade do desenvolvimento coordenado, o presidente também destacou a necessidade de que este novo complexo industrial rompa com as velhas estruturas e funcione sob princípios de transparência e sentido estratégico. Neste sentido, Chávez fez um chamado “à responsabilidade e a lutar contra as máfias, a corrupção, a má administração, contra os desvios e os vícios da IV República”, porque “são uma ameaça contra a revolução socialista”.

Com o entusiasmo dos trabalhadores e trabalhadoras presentes, o presidente fez um anúncio fundamental: a necessidade do Controle Operário nestas empresas e em geral no setor industrial. Chávez disse que “o Plano, é um Plano Integral. E nós queremos que vocês o façam. Claro! (...) Temos que fazer o levantamento de todas as empresas: a produtividade, a eficácia e a transparência. Assim como vocês dizem e têm razão quando o dizem! Não pode acontecer de vocês estarem trabalhando em uma empresa, e não tenham a clareza de em qual direção a empresa caminha. Quais são os planos? Qual é a administração? Como serão gastos os recursos? De quem é comprada a matéria-prima e como é paga? Para quem é vendido o produto e como é vendido? Tudo isso... Todo o processo produtivo... E a comercialização... deve estar sob controle operário! Estou de acordo! E assim tem de ser!”

Contrário aos gritos desesperados da burguesia e seus apologistas, dos reformistas e burocratas contra a gestão dos trabalhadores, o presidente ressaltou a superioridade do Controle Operário em relação à gestão burocrática das empresas. “Estou certo, que quanto mais responsabilidades vocês recebam, mais eficientes serão”, disse Chávez. E assim como na gestão e recuperação das empresas básicas e do novo complexo industrial é imprescindível a participação consciente dos trabalhadores. Chávez ressaltou a necessidade de que participemos de todo planejamento e aspectos desta transição ao Socialismo. “Eu quero que discutamos e desenhemos um sistema. Assim como no campo político falamos da transição, igualmente deve ser aqui. Temos que planejar a transição. Até mesmo os detalhes!”, disse.

Concretamente, a proposta elaborada por Chávez no encontro inclui a participação dos trabalhadores na eleição dos cargos de direção nas empresas. “Estou disposto, que nós, em conjunto, mas com a protagonismo de vocês, escolhamos, elejamos as Direções das empresas”, declarou. Momentos antes, no decorrer deste discurso de encerramento do presidente, os trabalhadores presentes haviam denunciado que nas empresas básicas, assim como na recentemente nacionalizada SIDOR, ainda permanecem em seus postos de direção muitos gerentes contra-revolucionários que sabotam todos os aspectos de tais empresas e que estão trabalhando arduamente para o fracasso das experiências de nacionalização e co-gestão, como o fizeram em CVG ALCASA, particularmente logo após a saída de Carlos Lanz, ou como o fizeram na INVEPAL ou como estão, neste momento, tentando sabotar a grande experiência dos camaradas da INVEVAL.

Além disso, o presidente Chávez chamou os trabalhadores a integrar milícias operárias: “Em cada empresa deve haver um batalhão operário... com fuzis... ao lado... para o caso de que alguém se engane em relação a nós.”
Sustentabilidade e rentabilidade das empresas socialistas

Em seu discurso falou sobre a sustentabilidade das empresas básicas e ressaltou o fato de que os próprios trabalhadores, nas mesas de trabalho, fizeram menção ao fato de que, sem um desenvolvimento completo industrial não é possível processar a matéria prima e convertê-la em produtos finais, nem as empresas de Ferro, Alumínio, Petroquímica, etc. “De modo simples, há muitos anos compreendi que nenhuma empresa básica, seja de Ferro, de Aço, de Bauxita e Alumínio ou de Petroquímica, nenhuma delas pode ser, nem poderá ser sustentável em médio ou longo prazo se não trabalham juntas cada uma delas, baseadas em uma rede de empresas, de propriedade social e de forma coordenada. Não será sustentável nenhuma delas isoladamente, e menos ainda o modelo socialista.” Enfatizou Chávez.

Este é um tema, há muito tempo recorrente, em debates contra os setores burocráticos e reformistas, que vez por outra utilizam o argumento da necessidade da “sustentabilidade” e da “rentabilidade” para atacar as experiências de gestão operária, principalmente em Guayana. Quando no caso da importante experiência da chamada “Co-gestão operária” em CVG ALCASA, sempre se tratava de comparar com a produtividade de CVG VENALUM, por ser também uma empresa redutora de alumínio. Mas por outro lado escondiam o atraso tecnológico e a retirada de investimentos que sofreu a ALCASA por mais de 20 anos, além do problema de depender de um mercado flutuante, como o é o de matérias-primas.

Lembremos, por exemplo, que a empresa COMSIGUA tem entre seus acionistas as japonesas Kobe Steel, Mitsui e Sojitz, além disso, boa parte da produção de ferro é vendida para a Ásia, Europa e EUA. Por sua parte, TAVSA, filial do grupo argentino Tenaris, o maior fabricante mundial de tubos de aço sem costura para a indústria petrolífera, produz cerca de 80.000 toneladas de tubos. No caso da Orinoco Iron e VENPRECAR, que são filiais da International Briquettes Holding (IBH), unidade de separação do coque para a siderúrgica, SIVENSA, onde tem interesse a multinacional belga Bekaert Corporation. As duas empresas produzem cerca de três milhões de toneladas anuais de coque pré-reduzidos, utilizadas como um substituto da sucata de alta qualidade no processo de produção do aço. IBH teve perdas líquidas de 20 milhões de dólares em seu primeiro trimestre fiscal, que termina em Dezembro, frente a um lucro de 12 milhões de dólares no mesmo período do ano anterior. Também vale destacar que em IBH existe uma presença acionária da própria CVG FERROMINERA.

Chávez insistiu que a rentabilidade das empresas não pode ser entendida em termos capitalistas, que a produtividade de uma empresa sob o Socialismo é muito mais do que meros retornos vultosos, excelentes dividendos financeiros, etc. “No capitalismo eles têm seus métodos para que as empresas sejam rentáveis. Mas nisso eu ponho aspas, nisso de rentáveis. Submetem milhões de trabalhadores, exploram, reduzem os direitos trabalhistas, os salários, terceirizam os trabalhadores... De diversas formas, que ocorre e ocorreram todos esses anos, os Governos, subordinados ao estado burguês e à burguesia e ao imperialismo, subsidia a energia, lhes vende barato o ferro, a matéria prima, e depois, venderão muito caro, com a maior mais-valia possível, os produtos e os subprodutos. Ah bom, desta forma qualquer empresa é rentável!”, insistiu Chávez.
Guayana: a vanguarda da construção do Socialismo

Chávez ressaltou o papel fundamental da região de Guayana na construção do socialismo, pois conta com os batalhões pesados da classe trabalhadora industrial, os trabalhadores sidero-metalúrgicos. “Estou seguro que Guayana, assim como o maciço guaianês, se converterá na Sólida Plataforma do Socialismo, na construção do socialismo. Com a classe trabalhadora como vanguarda. Com a classe trabalhadora como protagonista. E Guayana, será, assim o vejo, uma Escola Socialista”, enfatizou Chávez.

Para terminar, Chávez ressaltou o papel de vanguarda que está desempenhando a Revolução bolivariana em nível mundial e à sua cabeça a classe trabalhadora venezuelana. “Os trabalhadores venezuelanos darão uma aula ao mundo de como a classe trabalhadora renasceu neste Planeta! Renasceu a classe trabalhadora para fazer uma Revolução! Vocês darão um exemplo de grandeza! O sei, meu coração me diz, todos os sentidos me dizem, a paixão que vocês têm também me diz. Sob os alinhamentos: aqui quem manda e mandará são vocês. Vocês mandarão aqui! (...) Vocês estão sendo convocados pela grandiosidade, e para construir, a Pátria Socialista. Viva a classe trabalhadora! Viva Guayana livre! Viva os trabalhadores! Viva a pátria socialista! Pátria, socialismo ou Morte! Venceremos!”
Da palavra aos fatos cabe à classe trabalhadora

Como muito bem assinalou o próprio presidente Chávez neste discurso, a construção e a planificação deste processo de transição requerem a participação consciente da classe trabalhadora. O discurso que escutamos foi um passo adiante, que deve ser completado por ações concretas por parte dos trabalhadores. Já vimos várias vezes o presidente dar linhas e ordens diretas a seus ministros e estes as engavetarem e se omitirem. Passar das palavras aos fatos é a prioridade do proletariado industrial de Guayana, de seus batalhões pesados, como o são os trabalhadores sidero-metalúrgicos, mas também do conjunto da classe trabalhadora venezuelana.

Nós, trabalhadores, devemos dar um passo à frente e tomar ações concretas, nas eleições e revogações dos gerentes e cargos de direção nestas empresas. Devemos eleger comitês de delegados para o controle administrativo e contábil, e revogá-los se necessário. Controlar os livros contábeis, e evitar o desperdício de mais-valia, que nós, os trabalhadores, produzimos, com gastos inúteis por parte da burocracia. As experiências nas mesas de trabalho apresentadas pelos companheiros da ALCASA, neste momento, são valiosíssimas. Impulsionar as diretrizes gerenciais em cada divisão e departamento da indústria, controlar todos os aspectos do processo produtivo assim como o processo de comercialização e enfrentar com os dentes cerrados as tarefas do controle operário.

A integração de todo o processo produtivo do setor do ferro e do alumínio sob controle dos trabalhadores tem que ser somente o primeiro passo para a planificação democrática da economia em seu conjunto. É preciso estender as nacionalizações, em primeiro lugar, a todas aquelas empresas em luta e ocupadas, como no caso da Vivex, Camisetas Gotcha, INAF, Transportes MDS, etc. Por que nacionalizar a Cerâmicas Carabobo e não estas empresas? A isto deve se seguir a nacionalização do sistema bancário para colocar seus enormes recursos, em grande parte gerados pelo próprio estado, ao serviço do desenvolvimento racional da economia venezuelana e em benefício da maioria da população. Também deveriam ser nacionalizados os principais grupos econômicos nacionais e multinacionais que operam no país, precisamente para poder planificar democraticamente a economia sob controle dos trabalhadores.

O Presidente Chávez disse claramente: “Mergulho com vocês”. A classe trabalhadora deve responder de maneira firme. Não só em Guayana, mas em todo país. Se os dirigentes sindicais que temos não estão dispostos, devemos ter a iniciativa desde baixo de substituí-los por outros que respondam diretamente aos anseios da classe trabalhadora.

25 de Maio de 2009.

Fonte: Esquerda Marxista

publicado por Rojo às 12:55
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