Sábado, 27 de Junho de 2009

Na cidade de Amsterdão: Encontro Europeu de Solidariedade com a Revolução Bolivariana

Por: Darvin Romero Montiel
Data de publicação: 25/06/09

 

Amsterdão, 25 de Junho de 2009 (Especial para Aporrea por Darvin Romero Montiel) - Expressões de solidariedade com a Revolução Bolivariana cruzaram-se de todas as partes da Europa. Mais de uma dúzia de idiomas se conjugaram para confirmar que a espada de Bolívar caminha, não só pela América Latina mas também pelo Velho Continente. “A Revolução Bolivariana é um exemplo da mudança que deve fazer-se no mundo. Por isso apoiamos o processo desde a trinchera onde estejamos”, foi o que disse Carlos Délger, membro do Círculo Bolivariano de Viena. Enquanto Julián Terrier, militante do Círculo Venezuela Toulouse de França, afirmava que: “A Venezuela é uma esperança. Nós a apoiamos porque é para nós uma referência de que se se pode fazer um governo socialista, que gere políticas a favor dos que menos têm”.

Foram três dias de debate, análises e propostas entre os membros dos movimentos europeus que apoiam a Revolução Bolivariana e embaixadores da Venezuela na Europa. O Encontro de Solidariedade com a Venezuela levado a cabo entre 19 e 21 de Junho em Amsterdão, teve um formato de congresso quando em cada uma das dez mesas de trabalho se desenvolveram propostas para mostrar a verdade sobre o processo que lidera o Comandante Hugo Chávez Frias e enfrentar as mentiras que constantemente tecem as corporações mediáticas internacionais.

Para Samuel Moncada, embaixador da República Bolivariana de Venezuela na Inglaterra, o terreno ganho pela direita europeia nas últimas eleições exige unidade: “Na Europa está a ter um forte impacto a crise económica… isto se manifesta em desemprego, bancos falidos, fábricas fechando… em fim o modelo económico está a implodir-se. Lamentavelmente isto tem gerado que os grupos da direita tenham ganho mais espaços no Parlamento Europeu, com promessas de políticas anti migrantes, anti sindicais e anti qualquer proposta progressista. Então temos que fortalecer as redes de defesa da Revolução Bolivariana, porque não basta apenas que tenha este tipo de grupos em cada um dos países europeus… se não se unem não terão sucesso”. Esta ideia é compartilhada por Efraín Navarro, do Círculo Bolivariano da Noruega: “Há que desenhar estratégias para actuar como bloco na contramão da campanha que trata de satanizar o nosso processo político, profundamente solidário e humano”.

Efectivamente, o consenso foi a soma de esforços, e como disse Roland Sitler, do Sindicato Suíço de Trabalhadores… sobre a organização: “Este encontro deve servir para criar comités, círculos e grupos de solidariedade, melhor estructurados. Actualmente estamos algo isolados”. Alguns acham que o encontro serviu para descobrir grandes coincidências: “Neste encontro sinto que não estamos sozinhos… os lutadores sociais da Turquia, Rússia, e outras partes da Europa e do mundo. Oxalá o presidente Chávez possa aceitar o nosso convite para estar na Turquia no próximo outono… achamos que isto vai ajudar a esquerda Turca”, expressou Ufuk Uras, deputado da Assembleia Nacional da Turquia.

Guadalupe Verwaayen, militante do Círculo Bolivariano de Holanda, foi uma das muitas pessoas surpreendidas por se encontrar numa mesa debatendo com embaixadores e deputados de igual a igual… sem nenhum tipo de barreira protocolar que impusesse privilégios: “Aqui nas mesas os embaixadores e deputados, não ostentam os seus cargos… aqui são apenas mais uns membros dos grupos e movimentos de solidariedade… e cada voz na mesa tem o mesmo peso. Estamos reunidos especialmente para analisar a situação da Revolução Bolivariana nesta crise capitalista mundial. Das mesas têm saído iniciativas conjuntas de trabalho”. O parecer de Jaime Unda, membro do grupo “Solidariedade com América latina” da Suécia é o mesmo: “Em meus quase 50 anos de vida política nunca tinha vivido uma experiência semelhante na qual embaixadores e representantes do corpo diplomático junto a jovens e outros como eu, já não tão jovens, se sentassem juntos sem preconceitos nem comparações para conversar sobre solidariedade com Venezuela. Basta dizer que foi muito caloroso chamar os embaixadores por seus próprios nomes (sem títulos nem referências) Simón, Lucas, Blancanieves, etc., e escutar as suas opiniões pessoais sobre os temas tratados sem imposição de nenhuma espécie, algo único que demonstra que a Revolução Bolivariana da Venezuelana até neste tipo de encontros está à vanguarda. E é esta Revolução a que hoje em dia está a dar respostas a este mundo cheio de abismos e crises”.

Outro que parece ter sentido o mesmo agrado é o embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Vaticano, Iván Rincón: “A nossa Constituição é socialista na sua essência… é solidaria… e por isso estamos nós os embaixadores aqui, apoiando aos que nos apoiam a nós”. Enfatizou a rejeição ao que denominou “a globalização do livre mercado”, afirmando que o que há que impulsionar é “a globalização da solidariedade e da inclusão social”. Na mesa em que participou sugeriu informar através dos grupos de solidariedade que, enquanto esta crise gera desemprego na Europa e noutras partes do mundo, na Venezuela se conseguiu reduzir o desemprego de 22% a 7 %. Elevou-se o nível de cuidados médicos e a Venezuela foi declarada como país livre de analfabetismo. “O capitalismo é um cadáver e não há tempo para honras fúnebres… agora o que fica é terminar de construir e consolidar o socialismo do século 21, como uma verdadeira solução ante os falhanços dos modelos anteriores… e isso só o podemos fazer nos sentando a aprender de quem conhece melhor a realidade dos povos”.

Emocionado, Luis Rocha, membro da organização “Tirema as Mãos da Venezuela” em Portugal, afirmou que crê no que está a ocorrer na América Latina: “Gosto ideológicamente da Revolução Bolivariana e do repto de construir o Socialismo do Século 21. Acho que o povo venezuelano tem-se emancipado para construir uma sociedade mais justa e mais democrática como esperança, não só para os venezuelanos mas também para todos os povos do mundo”. A seu lado, David Bosen, do grupo “Solidariedade com a América Latina” da Noruega, exclamou: “A Venezuela é a maior referência actual contra o neoliberalismo”.

Federico Pargami, vive em Paris e diz que se informou bem sobre a Revolução Bolivariana quando esteve no Forum Social Mundial de Porto Alegre, no Brasil: “Quando escutei Chávez, soube que o que diziam os media franceses era mentira”. Depois esteve em um evento similar que se realizou na Venezuela, trabalhando como tradutor… “ao chegar a Paris, me integrei nos movimentos de Solidariedade com a Venezuela”. Quem também foi e veio convencido é o ex-embaixador de Suíça na República Bolivariana de Venezuela, Walter Suter: “Eu sou filho de operários e sei o que significa viver com os de baixo e lutar para conseguir benefícios sociais, por isso não me quero afastar desta condição. O que sucede no processo bolivariano é algo único… sui generis, para enfrentar a pobreza e a exclusão, além de ser através da democracia directa, como no meu país… é também pela democracia protagónica (participativa) no caso da Venezuela”.

“Este é um encontro para rever o que tanto estamos a aplicar os movimentos de Solidariedade da Europa, os três erres de que fala o Presidente Chávez”, assegurou Marco Consol, membro do "Partido da Refundação Comunista”, da Itália. Acrescentou que há que passar da solidariedade à construção de uma agenda comum, entre as experiências de transformação social na América Latina e o que passa na Europa. “Temos que superar essa velha concepção de que a esquerda dos países ricos ajuda a esquerda dos países pobres… isso se acabou, porque agora –em termos políticos- estamos muito pior nós na Europa. Lá há avanços e aqui o que há é retrocesso… Os resultados das últimas eleições parlamentares da Europa indicam que chegou o momento de fundar comités de solidariedade com a Europa, para que nos protejam da direita e a ultra direita que ganha terreno aqui”.

Darwin Romero Montiel
É Ministro Conselheiro de Venezuela no Reino dos Países Baixos (Holanda)

 

Fonte: Aporrea

publicado por Rojo às 10:08
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