Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

As últimas da Venezuela e da América Latina

Nota: Alguns acontecimentos das últimas semanas na América Latina merecem-me uns breves comentários.

 

O Golpe de Estado em Honduras e as bases do Império

 

Creio que entramos numa nova (e perigosa) fase história de conjuntura política na América Latina, precisamente por causa do Golpe de Estado nas Honduras. A estratégia de transformar a América Latina pela via eleitoral e constitucional está seriamente posta em causa. A resposta da Esquerda latino-americana deve ser contundente perante as Ditaduras fascistas que agora emergem. A luta armada voltou a ganhar razão de ser neste contexto.

 

Convém recordar o Século XX na América Latina. Entre os anos 50 e 70 do Século XX houve alguns efémeros processos mais ou menos pacíficos e eleitorais que instituiram limitadas reformas agrárias, nacionalizações e outras medidas progressistas - desde Jacobo Arbenz nos anos 50 até Salvador Allende. Depois entre os anos 60 e 90, em ondas sucessivas e por largos períodos em cada país, sucederam-se os conflitos de guerrilhas contra diversas Ditaduras que entretanto foram esmagando as tímidas tentativas de chegar ao Socialismo pacificamente.

 

Tudo indica que a História se está a repetir (e espero estar enganado ao dizer isto). A anunciada construção de 7 bases militares norte-americanas na Colômbia reforça a tendência agressiva das burguesias latino-americanas iniciada nas Honduras e põe a nu que com Obama nada mudou relativamente à América Latina (a política dos EUA vai até ser mais agressiva neste período).

 

As concessões revogadas a Rádios privadas venezuelanas

 

A resposta de Chávez perante a agressividade do Imperialismo norte-americano e os seus sócios venezuelanos reacionários (que aplaudem o Golpe nas Honduras) só pode ser uma resposta de força. O diálogo com a oposição de direita advogado pela ala reformista do movimento chavista é hoje equivalente a uma imediata capitulação da Revolução Bolivariana. Qualquer sinal de fraqueza neste momento põe a Venezuela revolucionária em risco de vida. Nesse sentido a medida de Chávez de revogar concessões que caducaram ou estão fora da lei a Rádios privadas reacionárias venezuelanas faz todo o sentido, além de ser plenamente legal - algo que será aqui devidamente explicado nos próximos dias.

 

A detenção de Lina Ron

 

Num acto irreflectido alguns apoiantes de Chávez atacaram a TV privada Globovision arremessando gás lacrimogéneo contra a sede do canal. A dirigente chavista Lina Ron liderou este grupo (ela já foi dirigente do PSUV e da Unidade Popular Venezuelana). Lina Ron é um produto da Revolução, líder de um dos grupos que tem grande influência dentro das favelas de Caracas. Este epísódio demonstra alguma frustração de alguns sectores chavistas com o lento ritmo da Revolução Bolivariana. A unidade dos vários sectores da Revolução demonstra-se mais uma vez como um equilibrio delicado. A aceleração da Revolução especialmente perante as ameaças externas vindas da Colômbia, seria a solução ideal na minha opinião.

 

Tensões entre Correa e a Esquerda equatoriana

 

Rafael Correa, presidente do Equador também tido ultimamente a sua cota parte de conflitos com a Esquerda equatoriana. Primeiro foi com o partido indígena (Pachakutik) por causa de projectos de mineração na selva equatoriana e agora é com o Sindicato dos Professores ligado ao MPD (frente eleitoral do maior partido comunista equatoriano). Em vez de chegar a um acordo com estes sectores através da negociação, Correa optou (mal) por se apoiar em pequenos partidos regionais e um pequeno partido de direita inclusive. Esta situação não augura nada de bom para o projecto socialista defendido por Correa.

 

publicado por Rojo às 13:11
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3 comentários:
De mugabe a 7 de Agosto de 2009 às 15:56
Luis, completamente de acordo com as tuas análises. O fascismo latino-americano precisa que lhe partam os dentes.
De pedro bala a 7 de Agosto de 2009 às 18:21
O partido da Lina Ron é o MRPP lá do sítio. A acção deles contra a Globovisión foi contra-revolucionária. Num momento em que se abre o espectro radioeléctrico venezuelano ao povo e, por consequência, se recebe o ódio da oligarquia e da comunicação social imperialista, Lina Ron não podia ter feito isto. Com esta acção, absolutamente desnecessária, inútil e sem qualquer consequência prática, Lina Ron serviu os interesses da burguesia. E não é a primeira vez que o faz.
De Rojo a 7 de Agosto de 2009 às 19:10
Obrigado camarada Mugabe, volta sempre.

Concordo com o que dizes camarada Pedro, a tua análise sobre Lina Ron é correta mas também é preciso ter em conta que o grupo de Lina Ron tem alguma base social (de tal forma que ela chegou a ser eleita para o parlamento venezuelano).

Não ponho em causa a detenção de Lina Ron, a Justiça tem de funcionar para todos e ela cometeu um delito. Mas creio que esta é uma situação delicada que requer mais pedagogia do que truculência verbal para com os muitos simpatizantes e militantes do partido dela (a Unidade Popular Venezuelana).

O pior que podia acontecer era Lina Ron passar com o seu partido para o lado da reacção. Não seria o primeiro grupo ultra-esquerdista a fazê-lo é verdade, mas seria muito danoso para a Revolução.

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