Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Os meios de comunicação convocaram uma manifestação mundial contra Chávez

Durante muito tempo as manifestações e mobilizações eram convocadas pelas organizações sociais. O seu êxito dependia do apoio que tivesse a temática que as gerara, da capacidade organizativa dos colectivos e... da cobertura que lhe dessem os meios de comunicação à sua convocatória. A maioria das mobilizações, como é lógico, são contra o poder estabelecido e como este poder costuma ter boas relações com os grandes meios de comunicação, a cobertura informativa é sempre posterior ao evento, nunca antes para evitar produzir o efeito da convocatória e, sem o pretender, ajudar a difundir a mobilização. A maioria dos cidadãos sabe através dos meios de comunicação da existência de uma manifestação, no melhor dos casos, no dia seguinte quando protagoniza os noticiários. Raramente lemos ou ouvimos títulos do tipo "Amanhã às sete da tarde está convocada uma manifestação na praça X contra o projecto de lei Y", o habitual é que nos chegue a informação "Ontem X pessoas manifestaram-se contra o projecto de lei Y".

 

Por outro lado, nos tempos actuais, a Internet, e em especial as redes sociais como o Facebook ou o Twitter, estão a tentar criar um formato organizativo cidadão onde as tradicionais associações não existem ou não têm suficiente apoio. Um exemplo disso é a convocatória para o mês de Setembro, a partir destas redes, de uma manifestação mundial contra Chávez. A estrutura organizativa cidadã da qual se parte é mínima, apenas cinco ou seis pessoas que criam um grupo no Facebook, não existem colectivos sociais, nem sindicatos, nem partidos políticos por trás. Aparentemente também não há governos nem dinheiro. Inclusivamente permitem-se afirmar que o seu objectivo "não é realizar uma manifestação com tendências políticas, nem contra nenhum partido político. Só tem um sentido civil". Como se a política não fosse civil e uma manifestação contra um presidente fosse algo apolítico. De modo que o êxito dependerá agora basicamente dos meios de comunicação e da cobertura que seja dada à convocatória. Esse grau de cobertura servirá também para sabermos que nível de adesão ou rejeição tem a mobilização entre os grupos de poder que controlam e operam nos meios de comunicação. Ao passo que -como dissemos anteriormente - poucas vezes os meios de comunicação têm na sua agenda informativa anunciar manifestações e mobilizações, agora descobrimos todo um desdobrar de cobertura na imprensa para anunciar a manifestação mundial contra Chávez.

 

Todas as agências o difundem. Efe: Usuários do Facebook de vários países apoiarão a manifestação, Afp: Convocam na internet uma manifestação mundial contra Hugo Chávez , Ap: Grupo colombiano convoca concentrações contra Chávez , Europa Press: Jovens colombianos convocam para o dia 4 de Setembro uma marcha ... ,

Obviamente toda a grande imprensa colombiana. El Tiempo: Convocam no Facebook grande marcha mundial contra Hugo Chávez para ... , RCN: Jovens colombianos convocam por Facebook uma manifestação mundial ..., Caracol Radio: Convocam por Facebook e Twitter manifestação mundial contra Hugo ..., El País de Colombia: Convocam manifestação mundial contra Chávez no Facebook. Sem descuidar os meios regionais que trasladam à sua própria volta a convocatória: Em Pereira também sairão em manifestação contra Chávez (LaTarde.com).‎

E meios de toda a América Latina. Argentina: Um grupo de opositores colombianos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, promove no Facebook e Twitter uma manifestação mundial contra o mandatário. (La Nación). Nas Honduras, que enquanto o povo sobre um golpe de Estado e é reprimido, os seus meios de comunicação apelam a manifestações contra o presidente de outro país: Realizarão manifestação mundial contra Chávez (La Prensa), Chávez, mais não! (El Heraldo).

Não podiam faltar ao acontecimento os meios de comunicação espanhóis: Convocam a partir da Colômbia una «manifestação mundial» contra Chávez (ABC). Alguns inclusivamente já dão como um facto consumado que será uma grande manifestação sem nem sequer se importarem em colocar entre aspas o qualificativo, para pelo menos indicar que é apenas uma citação textual dos convocantes Convocam pelo Facebook uma grande manifestação mundial contra Hugo Chávez (Ser).

 

Muitos partidários de Chávez assinalam o Facebook como a origem da agressão e lembram as suas obscuras origens relacionadas com o governo estado-unidense, mas o Facebook é apenas mais uma ferramenta da operação. O que é indiscutível é que estamos perante uma convocatória dos meios de comunicação. Uma vez mais eles abandonaram o seu papel de informar para encabeçar uma cruzada política contra um governante legítimo. Os cincos tipos que aparecem no Facebook como organizadores do grupo são simples testas-de-ferro de uma operação mediática de combate, como o foram os que encabeçaram as manifestações contra Chávez naquele 11 de Abril de 2002 sem saber que estavam a ser atirados para um golpe de Estado.

 

Por trás desta suposta mobilização contra Chávez, como em tantas ocasiões anteriores, há apenas rotativas, decibéis, câmaras de televisão e muito, muito dinheiro. Os povos, e em especial o venezuelano, demonstrarão que eles são muito mais que isso.

 

 

 

Texto retirado dewww.pascualserrano.net

 

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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1 comentário:
De Luís Rocha a 3 de Setembro de 2009 às 12:40
Estes fachos vão não passarão!

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